2

Salvando o seu coração físico, emocional e espiritual

Salvando o seu coração

PARTE 1

“Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele prodecem as saídas da vida.” Provérbios 4:23

Dr. Dean Ornish, é cardiologista e professor na Universidade da Califórnia em São Francisco, autor de livros como “Salvando o seu coração”, “Amor e Sobrevivência”, onde explica sobre a importância da dieta vegetariana para prevenção e tratamento em geral, e em especial da doença coronariana, da abertura “coração” emocional, da meditação e oração, grupos de apoio para aprender a lidar com as emoções e prática de exercícios físicos. Vamos ver algo sobre isso nessa série.

Ele inicia o livro “Salvando o seu coração” dizendo: “Este livro é sobre como curar o seu coração: física, emocional e espiritualmente.” Quer entender melhor que saúde é um todo? Saúde envolve a procura do bem estar físico, mental e espiritual porque somos constituídos como seres humanos assim, seguindo ou não alguma filosofia religiosa.

Mediante meios naturais, simples, como seguir uma dieta vegetariana, praticar exercícios físicos diariamente, tomar água pura, etc., é possível reverter algumas enfermidades sem o uso de medicamentos convencionais e cirurgia. Você precisa crer nisso e buscar isso, se quer saúde mesmo, e não apenas alívio de sintomas.

No caso de doenças cardíacas, em cada 100 mortes no mundo, cerca de 38 ocorrem por esse tipo de problema de saúde, a qual é um dos tipos de doenças da modernidade, junto com diabetes, acidentes vasculares cerebrais, câncer, entre outras, que pode ser evitada e revertida até, conforme o Dr. Ornish provou, pela prática de métodos simples e naturais.

E ele diz: “Não temos que esperar por um remédio novo, um procedimento cirúrgico inovador ou uma descoberta tecnológica.” (“Salvando o seu coração”, p.16, Editora Relume-Dumará, 1993). O mais importante e que realmente produz resultados positivos para a saúde em geral, não só do coração, tem que ver com a mudança do estilo de vida, que envolve coisas que você pode escolher praticar. Repito: você pode escolher.

Ao surgirem sintomas de uma doença, seja câncer, entupimento de artéria no coração, é sinal de problemas ocorrendo há anos em seu corpo. Por exemplo, a maior parte do cânceres de intestino geralmente surge após os 50 anos de idade. Por que? Porque é preciso muitos anos de violação da fisiologia digestiva, por alimentação ruim, como o consumo de muita carne, para esse tipo de câncer aparecer. Um dos países onde o câncer de intestino tem menor índice é a Índia, e lá não se pode matar o gado, considerado sagrado. Assim, lá o consumo de carne é bem menor do que em outros países.

Doenças do coração podem ser revertidas sem cirurgia em muitos casos, segundo o Dr. Ornish, embora não seja algo fácil justamente porque foram necessários anos para as coronárias entupirem. “Mas”, diz ele, “podem melhorar, e mais rapidamente do que antes achávamos possível.” (p.19).

Métodos convencionais de tratamento das doenças cardíacas, hipertensão, alto colesterol no sangue, evitam ou revertem a doença cardíaca em uma pequena porcentagem das pessoas e algumas vezes até pioram o caso (p.23). É importante pensar que ao se fazer uma “ponte” (safena, etc.) no coração é possível estar sendo feita também uma ponte sobre as causas básicas da doença, passando por cima delas com a crença, errônea, de que a cirurgia resolverá tudo. Mas o que causou a doença? O que entupiu a coronária?

Dr. Ornish diz que o Dr. Robert Wissler, patologista da Universidade de Chicago, deu a macacos babuínos a dieta que serviam no hospital aos pacientes, e os macacos desenvolveram entupimentos nas artérias. (p.24). Estudos em todos os países mostram que dieta rica em colesterol (gorduras de origem animal) aumenta o risco de doença do coração. Também o estresse emocional aumenta a pressão arterial e níveis de colesterol. Pilotos de corrida das 500 milhas de Indianápolis apresentam níveis de colesterol mais altos após a corrida. Profissionais contadores tem esses níveis mais altos no período de entrega do imposto de renda. Estudantes de Medicina também, no período de provas.

O que pode ocorrer em sua saúde se você procurar mudar as causas básicas da doença, qualquer doença? Tenha ânimo! Nunca é tarde demais para começar as mudanças em seu estilo de vida. Vamos ver isso nos próximos artigos.

PARTE 2

Compartilho com você, nessa série, ideias pessoais e do Dr. Dean Ornish, cardiologista professor na Universidade da Califórnia em São Francisco, autor dos livros “Salvando o seu coração”, “Amor e Sobrevivência”, sobre a importância da dieta vegetariana para prevenção e tratamento em geral, e em especial da doença coronariana, da abertura “coração” emocional, meditação e oração, grupos de apoio psicológico e prática de exercícios físicos.

Em um de seus primeiros estudos com pacientes (1980/81), o Dr. Ornish e equipe verificou que melhoras acentuadas ocorreram com pacientes cardíacos ao eles praticarem um programa de hábitos saudáveis. Em cerca de 91% deles houve redução da intensidade da dor no peito (angina), 55% melhora da capacidade física, redução de 21% nos níveis de colesterol e importantes reduções da pressão arterial. Mas estes estudos iniciais não forneceram evidências definitivas de que a doença do coração poderia ser revertida. Dr. Ornish continuou as pesquisas nos anos seguintes.

Ele pedira verbas para a American Heart Association, entre outras, e os avaliadores diziam: “É impossível reverter a doença do coração… Você tem que usar remédios que diminuam o colesterol para obter a reversão. ” Dr. Ornish escreveu: “Algumas críticas à nossa abordagem indicavam como a cardiologia era poderosa, e no entanto míope, em seu enfoque do tratamento da doença cardíaca…”. (“Salvando o seu coração”, p.28)

Ele fez novo estudo com doentes cardíacos graves, aleatoriamente divididos em dois grupos. Um seguia o programa de vida saudável (dieta vegetariana, exercícios físicos, grupo de apoio emocional, meditação, oração, etc.), e outro seguia as prescrições de seus médicos (reduzir consumo de carne vermelha, mais peixe e frango, margarina e não manteiga, exercícios moderados, não mais do que 3 ovos por semana, deixar de fumar). Os pacientes foram testados no início dos estudos e um ano após, e foram comparados. Após um ano 82% dos pacientes do grupo que mudou os hábitos de vida tiveram uma média mensurável de reversão dos bloqueios nas artérias coronárias. O bloqueio (em algumas artérias) reverteu de 61,1% à 55,8%. (comprovado pela varredura com PET – Tomografia por Emissão de Pósitrons – cardíaco). As reversões foram melhores nas mulheres, parecendo indicar que mulheres podem ter mais fácil reversão. (p.29,30).

O grupo que seguiu as recomendações convencionais dos seus médicos, piorou mensuravelmente no mesmo período, parecendo indicar que que as recomendações para mudar hábitos na vida precisam de mais coisas. Entre outras, a revista mais respeitada no mundo médico, The Lancet, publicou esse estudo do Dr. Ornish no verão de 1990.

É importante entender, se você é uma pessoa com doença cardíaca, que sempre é um bom momento para mudar seus hábitos nocivos de vida. Parar de fumar, praticar exercícios físicos de preferência ao ar livre, adotar dieta vegetariana, aprender a lidar com suas emoções, praticar meditação e oração, participar de um grupo de apoio emocional e redução de estresse, tudo isso é o que funciona, embora não se possa dizer qual desses fatores é o mais importante para qual paciente. Uma pessoa impulsiva e explosiva que enfarta, pode ser muito ajudada a evitar novo enfarte, não só mudando os hábitos físicos (dieta, etc.), mas aprendendo a controlar suas emoções. Já alguém guloso e que come alimentos com muita gordura e colesterol (que é só de origem animal), o mais importante para ela, para prevenir a complicação da doença cardíaca, pode ser a mudança da dieta, especialmente se é uma pessoa que não tem estresse, não fuma, pratica exercícios físicos e tem bom suporte emocional.

Assim, diz o Dr. Ornish: “Embora o colesterol seja muito importante [para a doença cardíaca], ele não encerra toda a história. Nem tampouco a pressão alta, ou o fumo, ou a falta de exercícios físicos. Todos os fatores de risco conhecidos explicam somente cerca de metade das cardiopatias que observamos.” (p.31). E sobre o uso de remédios para diminuir o colesterol, ele comenta: “É possível que algumas pessoas com níveis elevados de colesterol no sangue por causas genéticas possam beneficiar-se da combinação do programa Abrindo o seu coração com remédios que reduzem o colesterol no sangue, mas os remédios isoladamente não são a solução mais adequada e podem mesmo ser desnecessários.” (p.33). E acrescenta: “…a ingestão desses remédios tem o seu valor e é melhor tomá-los do que não fazer nada.” Continuamos no próximo artigo.

PARTE 3

Vamos seguir com essa série de artigos com ideias pessoais e do Dr. Dean Ornish, cardiologista professor na Universidade da Califórnia em São Francisco, autor dos livros “Salvando o seu coração”, “Amor e Sobrevivência”, sobre a importância de se verificar as causas mais profundas da doença coronária, e outras, ao invés de só abordar o tratamento com procedimentos no nível físico da doença.

Recomendações convencionais sobre dieta podem não ser suficientes para pessoas com problemas de coração. Pesquisa do Dr. Blankenhorn (Fac. de Medicina da Universidade do Sul da Califórnia) indicou que uma dieta contendo 30% de gordura ajuda a prevenir a formação de novos entupimentos arteriais, mas via de regra não é suficiente para reverter os bloqueios existentes. A ideia é que “mudanças mais moderadas podem ajudar a prevenir a doença do coração, ao passo que mudanças abrangentes são necessárias para revertê-la.” (“Salvando o seu coração, p.35). É preciso uma dieta com teor mais baixo de gordura para reverter o entupimento coronário. E o estudo do Dr. Blankenhorn revelou que não havia muita correlação entre os níveis de colesterol e os bloqueios nas artérias. Por quê?

Dr. Ornish dá a resposta: “O uso de remédios redutores do colesterol baseia-se na premissa de que o colesterol é o principal determinante da aterosclerose; no entanto, estou cada vez mais convencido de que outros fatores, incluindo estresse emocional, isolamento, ausência de apoio social, hostilidade, cinismo e baixa auto-estima também exercem papéis importantes, de modo que o exame dessas questões é uma parte importante… (do programa de tratamento dele).” (idem, p.36).

Já escrevi sobre níveis diferentes de cura. A população em geral procura tratamento para os sintomas. E só. Mas esse é apenas um nível de resolução de problemas de saúde. E é o mais superficial. Se a pessoa não se conformar com tratar só os sintomas, e se os médicos não se conformarem em prescrever medicamentos e/ou cirurgia só para tratar sintomas, e procurarem investigar causas mais profundas para o sofrimento, e provável que se evite a recaída na mesma doença ou a volta do problema através de outros sintomas.

Entupimentos nas artérias coronárias (que levam sangue ao coração) produzem angina, que é uma dor no peito. O entupimento de artérias no cérebro leva ao derrame cerebral (AVC). Nessas doenças o colesterol pode estar alto. No caso cardíaco, para resolver o nível físico da doença, se faz cirurgia de ponte de safena (ou mamária, ou radial), que é uma forma de levar sangue ao redor das artérias entupidas. Outra estratégia é a angioplastia coronária, que é feita com a colocação de um pequeno balão que é inflado dentro da artéria bloqueada, para dar mais espaço para o sangue chegar e passar ali.

“A cirurgia de safena, a angioplastia e os remédios redutores de colesterol”, diz o Dr. Ornish, “não lidam com as questões mais profundas pelas quais ocorrem os entupimentos nas artérias coronárias. Você poderá perguntar: ‘Bem, e daí? Quero dizer, quem precisa de filosofia quando você tem os remédios e a cirurgia? Eles funcionam, não funcionam?’ Sim e não. Temporariamente, essas abordagens podem salvar as vidas de muitas pessoas. Eu as uso algumas vezes. Quando o paciente dá entrada em um pronto-socorro com intensa dor no peito, dizendo: ‘Doutor, por favor tire esse elefante de cima de meu peito’, não vou dar a ele brócolis e pedir que comece a meditar – uso os remédios cardíacos, os choques elétricos e procedimentos cirúrgicos necessários para tratar o distúrbio de emergência que ameaça a vida do paciente.  … Uma vez que a pessoa esteja estabilizada e em processo de recuperação, podemos começar a discutir por que ocorreu o problema cardíaco e o que ele ou ela pode fazer para evitar uma viagem de volta ao pronto-socorro. … A doença coronária – bloqueios nas artérias coronárias e diminuição do fluxo de sangue – é o produto final de uma sucessão de acontecimentos que ocorrem durante o período de uma vida. … tratar apenas as manifestações físicas da doença do coração sem se preocupar com as causas mais fundamentais somente irá proporcionar alívio temporário, e a doença provavelmente retornará. Na melhor das hipóteses, iremos trocar um conjunto de problemas ou doenças por outro.”(idem p. 37). Vamos ver o que envolve tratar causas mais profundas da doença das coronárias e, por extensão, de outras também, nos próximos artigos.

PARTE 4

Seguimos com a série de artigos com ideias pessoais e do Dr. Ornish, cardiologista professor na California University, San Francisco, autor dos livros “Salvando o seu coração”, “Amor e Sobrevivência”, sobre a importância de se verificar causas profundas da doença coronária, e outras, e não só abordar tratamento no nível físico da doença.

Nos EUA planos de saúde privados e previdência social enfatizam tratamento com remédios e cirurgia em vez de educação em saúde. Gasta-se mais no tratar doença cardíaca do que em qualquer outra (78 bilhões de dólares/ano). Dr. Ornish explica a loucura econômica: “Se eu fizer uma cirurgia de safena em um paciente, a companhia de seguros pagará pelo menos 30 mil dólares. Se eu realizar uma angioplastia, a companhia de seguros pagará pelo menos 7500 dólares. Se eu gastar o mesmo tempo dando a um doente do coração informações sobre nutrição e técnicas de como lidar com o estresse, a companhia de seguros não irá pagar mais do que 150 dólares. Se eu gastar esse tempo ensinando uma pessoa saudável e permanecer saudável, a companhia de seguros não pagará nada.” (“Salvando o seu coração”, 38. Dados de 1990)

A tendência nossa, de médicos, é praticar o que nos é ensinado da Faculdade de Medicina, que é a medicina curativa, pois não nos é ensinado sobre nutrição ou sobre como ajudar os pacientes a mudarem seu estilo de vida para prevenirem doenças. Somos treinados para prescrever medicamentos e realizar cirurgias.

Por outro lado, grande parte dos pacientes quer algo rápido e prático, como uma receita de um remédio convencional que ele comprará na farmácia mais próxima crendo que aquele comprimido resolverá seus problemas de saúde. Pode resolver sintomas. Só.

Alguns médicos são bem insensíveis para com as emoções do paciente. Dr. Ornish comenta: “…um proeminente cardiologista, parecendo muito frustrado, veio até mim [na enfermaria] e disse: ‘Você está cuidando do meu paciente, o Sr. Smith. Ele está programado para ser submetido a uma cirurgia de ponte de safena hoje, e está batendo com a cabeça nas paredes de tanta preocupação. Eu mando pacientes para cirurgia de safena todos os dias e não consigo entender porque ele está tão preocupado – para mim isso é tão simples.” E continua: “Nós, médicos, não damos os melhores exemplos. Além de aprendermos a não valorizar ou ouvir as necessidades emocionais de nossos pacientes, muitas vezes aprendemos a negar ou esquecer os nossos sentimentos como parte de nosso treinamento médico. Nesta profissão, temos os maiores índices de toxicomania e divórcio quando comparados com outros grupos profissionais; o médico médio vive, em geral, menos. A cada ano, suicidam-se médicos em número equivalente a toda uma classe de formandos de uma grande escola de medicina. … Portanto, não é de surpreender que muitos médicos não acreditem que o distúrbio emocional ou o isolamento espiritual possa contribuir para a doença do coração. É mais fácil não acreditar.” (idem, p. 38,39).

O pensamento padrão médico é muito organicista, ou seja, foca em questões ligadas às alterações orgânicas, desconsiderando as emocionais e espirituais. Para mim é uma perda importante para o profissional e para o paciente. Dr. Ornish comenta que ao ir a congressos médicos, a conversa com colegas sobre os problemas cardíacos inevitavelmente cai para o “lado” físico. Ele tenta explicar que seus pacientes melhoraram com dieta. E os colegas dizem: “Que mais?” Daí ele fala que também começaram um programa de exercícios. De novo perguntam: “Que mais?” Ele diz: “Ajudamos o paciente a parar de fumar.” E: “Que mais?” Dr. Ornish prossegue: “Bem, assim como eu penso que alimentação, exercício e parar de fumar são importantes, também acredito que trabalhar em um nível mais profundo também é muito importante: ensinar às pessoas como acalmar as suas mentes e ganhar mais controle sobre elas; como ouvir os sentimentos dos outros e os seus próprios; como se sentir mais ligadas aos outros e a si mesmas; como dar e como receber amor mais intensamente.” E colegas talvez pensem: “Esse cara é romântico e nada científico. Cadê o remédio para os pacientes?”

Percebe a falta de visão maior? O pai da Medicina, Hipócrates, disse: “Mais importante do que saber que doença tem essa pessoa, é saber que pessoa tem essa doença.” Até semana que vem com essa série.

P.S.: 1)Que os amigos, funcionários do jornal, parentes de nosso “patrão” Laercio Rangel Ventura, encontrem em Deus forças para lidar com a saudade!

2)Outra tristeza é um indivíduo com processo criminal em andamento, comprovadamente envolvido em fraudes, ser eleito presidente do Senado do Brasil! Pior ainda, a maioria votou nele. Meus pêsames querido Brasil! Nós, povo não merecemos isso.

PARTE 5

Seguimos com a série de artigos com ideias pessoais e do Dr. Ornish, cardiologista professor na California University, San Francisco, autor dos livros “Salvando o seu coração”, “Amor e Sobrevivência”, sobre a importância de se verificar causas profundas da doença coronária, e outras, e não só abordar tratamento no nível físico da doença.

Artérias levam sangue oxigenado do coração para todo o corpo. E o coração também precisa de sangue para funcionar, porque é um órgão, é um músculo chamado “miocárdio” (mio = músculo e cárdio = coração). Há 3 principais artérias que irrigam o coração: artéria coronária direita (alimenta o lado direito do coração) , artéria coronária descente anterior esquerda (alimenta a parte da frente do coração) e artéria coronária circunflexa (alimenta a parte posterior do coração). Estas artérias principais se ramificam em outras menores.

Enfarto ou “ataque” do coração ocorre quando uma dessas artérias entope de tal modo, por gordura, que o sangue não mais passa por ali, para fazer o coração funcionar direito. Os fatores de risco mais importantes para o enfarto incluem: falta de exercícios físicos (sedentarismo), dieta rica em gordura de origem animal, taxa alta de colesterol no sangue, estresse, sobre peso e obesidade, sérios conflitos emocionais, temperamento Tipo A (pessoas muito agitadas, inquietas, workholics).

Em 1961 foi realizada a primeira cirurgia de ponte de safena, que é uma técnica cirúrgica em que se retira um pedaço da veia safena da perna do paciente e se costura esse pedaço na parte da coronária que está entupida para se restabelecer a circulação ali.

Nas décadas de 60 e 70 os cirurgiões cardíacos se tornaram “deuses” porque ao fazerem essa cirurgia, muitos pacientes eram “salvos” da morte pelo enfarto. Dr. Ornish comenta que no início dos anos 80 foram publicados 3 trabalhos clínicos controlados e aleatorizados demonstrando que a cirurgia de safena representava apenas um benefício pequeno para a maior parte dos pacientes com doença coronária moderada a grave, quando comparada ao tratamento médico convencional com remédios (“Salvando o seu coração”, p.60). Diz ele que muitas pessoas que passaram por esta cirurgia, não precisavam dela. “Um trabalho do Dr. Thomas Graboys  e do Dr. Bernard Lown, de Harvard, publicado no Journal of the American Medical Association em 1987, relatou que pelo menos vinte e cinco por cento das cirurgias de safena eram desnecessárias.” (p.60).

A cirurgia de safena, segundo estudos de seguimento, revelam que prolongam a vida de pacientes com doença cardíaca severa. Dr. Ornish, entretanto, faz a pergunta: “Mas comparada a quê?” (p.60). Estes estudos compararam esta cirurgia somente com pacientes que tomavam remédios para o coração (não redutores do colesterol), mas não havia comparação com os que faziam importantes mudanças nos hábitos de vida! As cirurgias de safena podem produzir problemas como trombose cerebral, infecção, etc. e, segundo Dr. Ornish, “até um terço dos pacientes sofre de alguma lesão neurológica transitória ou permanente, ou uma diminuição do QI, … 50% das artérias operadas se entopem novamente dentro de cinco anos e 80% ficam bloqueadas depois de sete anos.”

Quanto às angioplastias (colocar um balão para dilatar a artéria), nos EUA em 1983 foram feitas 12 mil destas cirurgias, só em cinco anos, (em1988) pulou para 200 mil. Ornish, porém, comenta: “Um terço das artérias dilatadas pela angioplastia entope novamente dentro de quatro a seis meses…”(p.61).

O que precisamos pensar, refletir, com estes dados científicos honestos, é que “nenhuma dessas abordagens – remédios, cirurgia de safena, angioplastia, transplante cardíaco ou coração artificial – se dedica às causas mais fundamentais da doença do coração, de modo que trocam um conjunto de problemas por outro. Em vez de tentarmos encontrar meios mais eficazes de desfazer a lesão, por que não nos concentramos, em primeiro lugar, em descobrir quais as causas da doença do coração?” (p.62). Vamos seguir pensando nessas coisas para nossa saúde.

PARTE 6

Seguimos com a série de artigos com ideias pessoais e do Dr. Ornish, cardiologista professor na California University, San Francisco, autor dos livros “Salvando o seu coração”, “Amor e Sobrevivência”, sobre a importância de se verificar causas profundas da doença coronária, e outras, e não só abordar tratamento no nível físico da doença.

Artérias são “canos” elásticos que conduzem sangue rico em oxigênio do coração para todo o corpo. As veias são também “canos” elásticos que conduzem sangue, só que elas trazem o sangue com gás carbônico de todas as partes do corpo para o coração, para ser recarregado de oxigênio nos pulmões, e voltar purificado ao corpo através das artérias.

O que causa entupimento nas artérias do coração? Pode surgir lesão na parede no interior da artéria, e daí nosso corpo tenta fazer um “curativo” ali, usando colesterol, colágeno e outros materiais. Se a lesão se repetir muito, mais “curativos” são feitos ao longo de anos e acaba entupindo a passagem do sangue, e a pessoa pode enfartar.

Os fatores que mais machucam esta parede interior da artéria são: altos níveis de colesterol no sangue; excesso de colesterol e gordura saturada na dieta (independente dos níveis de colesterol no sangue); pressão arterial alta e nicotina. (Ornish, “Salvando o seu coração”, p.62). Vamos dar uma olhada nestes fatores.

Altos níveis de colesterol no sangue e excesso de ingestão de gordura saturada e de colesterol – Um trabalho científico publicado no Journal of the American Medical Association mostrou que 50% dos norte-americanos tem níveis de colesterol suficiente para precisar de tratamento. Qual tratamento? Há uma ideia unânime (laboratórios farmacêuticos, médicos, etc.) de que é preciso reduzir a dieta rica em colesterol como parte do tratamento desse problema de saúde. Mas alguns pacientes se frustram porque ainda que mudem sua dieta para uma com menos colesterol, os níveis podem não diminuir muito. Daí muitos médicos prescrevem remédios para reduzir o colesterol.

Dr. Ornish comenta: “As indústrias farmacêuticas gastam milhões de dólares educando os médicos. [elas] são os principais anunciantes nas revistas de medicina. … subvencionam ensaios [pesquisas] clínicos para determinar a eficácia de seus remédios e pagam pesquisadores para falarem em hospitais e escolas médicas. E se uma indústria farmacêutica que fabrica um remédio redutor de colesterol fornece a maior parte dos recursos financeiros para a condução de uma pesquisa sobre a eficácia daquele remédio, existe a possibilidade de tendenciosidade, mesmo que não percebida, apesar das comissões independentes de monitorização que algumas vezes supervisionam esses estudos.”(idem, p.63). Completa Ornish: “Mas de modos sutis, e alguma vezes abertamente, a mensagem para os médicos é dada: ‘As companhias farmacêuticas são suas amigas. Os pacientes não querem realmente mudar muito os seus hábitos alimentares e de vida, daí, por que perder o seu tempo? Por que se preocupar? É muito mais rápido e mais fácil receitar remédios, e eles funcionam.’” (idem, p. 64).

Remédios redutores de colesterol são caros, tem efeitos colaterais conhecidos e desconhecidos, como lesão hepática, talvez catarata, náuseas, dores abdominais, etc.

Ornish cita que só dois estudos até a época em que escreveu o livro “Salvando o seu coração” conseguiram demonstrar que redutores de colesterol conseguiam reverter a doença do coração, ocorrendo numa minoria dos pacientes. Ele cita o estudo “Tipo II” no qual se gastou 170 milhões de dólares, feito pelo Instituto Nacional do Coração, Pulmão e Sangue dos EUA, no qual comprovou-se que remédios redutores de colesterol não revertiam a doença cardíaca. Por outro lado, a maior parte das pessoas que entraram no programa de mudança de hábitos de vida orientado pelo Dr. Ornish, teve a reversão dessa doença.

Nosso corpo fabrica todo o colesterol que precisamos, mesmo que você não use ou reduza a ingestão de gordura saturada. O excesso de colesterol na dieta com gordura saturada é que produz a doença nas artérias coronárias.

Ornish explica que prescreve redutores de colesterol só para pessoas que não querem mudar seu estilo de vida. O melhor é mesmo educar o indivíduo e ele escolhe o caminho que prefere seguir, tendo consciência do que é o melhor. Essa é a função dessa coluna semanal já por mais de 20 anos! Vamos ver mais adiante que fatores emocionais são muito importantes para o adoecer ou curar doenças do coração.

PARTE 7

Seguimos com a série de artigos com ideias pessoais e do Dr. Ornish, cardiologista professor na California University, San Francisco, autor dos livros “Salvando o seu coração”, “Amor e Sobrevivência”, sobre a importância de se verificar causas profundas da doença coronária, e outras, e não só abordar tratamento no nível físico da doença.

Como será que o estresse emocional afeta o coração? Estresse tem que ver como seu organismo reage aos fatores da vida. O problema do estresse é quando ele é demasiado, seja por excesso de trabalho, poluição do ar, conflitos familiares, estresse oxidativo (radicais livres), desemprego, doença crônica, etc.

Frente ao perigo emocional percebido, ou perigo físico (exaustão, mudança drástica de temperatura, violência, etc.), há ativação de defesas para garantir a sobrevivência. Por exemplo, se você caminha pela rua e um cachorro vem em sua direção e late, seu cérebro detecta o perigo e automaticamente produz hormônios para preparar seu corpo para lutar ou fugir. Assim, seu coração baterá mais rapidamente para mandar mais sangue para os músculos, sua respiração ficará mais frequente para oxigenar melhor as células, a digestão é interrompida para que o sangue possa ir para os músculos gerando força, as pupilas dilatam-se para melhor visão, o sangue coagula mais rápido para que se houver lesão com perda de sangue, não ocorra choque, as artérias nos braços e pernas começam a contrair-se para ter menos perda de sangue se ocorrer ferimento, etc.

Há o estresse agudo e o crônico. No agudo podemos usar o exemplo do cachorro que vem lhe atacar, quando, entre outras coisas, a descarga de adrenalina produz o aumento dos batimentos cardíacos, para preparar o corpo para lutar ou fugir. Mas depois da emergência, vem o relaxamento. O corpo relaxa, a artéria relaxa. Isso não ocorre quando a pessoa vive em estresse contínuo, crônico. No mundo atual a tendência é ter estresse crônico devido ao ritmo agitado da vida, tipo de personalidade A, etc. E nesse tipo de estresse também as artérias do coração podem ser contraídas demais e é mais provável haver a formação de coágulos dentro delas. (“Salvando o seu coração”, p.80).

Estudos científicos verificaram que no revestimento das artérias normais (sem lesão) do coração há a produção de uma substância, FRDE (Fator de Relaxamento Derivado do Endotélio), que dilata as artérias permitindo passar mais sangue. Quando a pessoa tem numa das artérias do seu coração a aterosclerose, ocorre menor produção do FRDE, assim a artéria se contrai e diminui o fluxo de sangue ali. Estas artérias com aterosclerose (endurecimento) respondem mais fortemente aos hormônios do estresse, fechando mais a passagem de sangue.

Dr. Kaplan, Dr. Clarkson e colaboradores, estudaram algo interessante. Dividiram dois grupos de 30 macacos cynomolgus, colocando metade num ambiente muito estressante socialmente instável, e a outra metade num ambiente não estressante e socialmente estável. Todos receberam a mesma dieta comum norte-americana, rica em gordura e colesterol. Após 22 meses, os macacos dominadores, muito agressivos e competitivos, do grupo altamente estressado e socialmente instável, tinham desenvolvido bloqueios nas artérias coronárias duas vezes mais graves do que os macacos dominadores do grupo não estressado. E estes dominadores tinham duas vezes mais bloqueios coronários do que os macacos subordinados que não lutavam para alcançar ou manter o status social.

Repetiram a experiência só que agora com uma dieta recomendada pela Associação Americana do Coração (com menos gordura). Os macacos tiveram menos entupimentos nas artérias, mas os dominadores, cronicamente estressados, tiveram mais importantes bloqueios do que os outros.

Conclusão: as influências emocionais e sociais sobre a aterosclerose das artérias coronárias não dependeram só da dieta gordurosa e rica em colesterol, o estresse foi a causa principal da formação dos entupimentos nos macacos mesmo recebendo dieta com menos gordura. Dr. Kaplan verificou que o estresse faz com que as artérias coronárias absorvam mais colesterol e diminui o “bom” colesterol (HDL). (p.82-84).

PARTE 8

Essa é uma série de artigos com ideias minhas e do Dr. Ornish, cardiologista professor na California University, San Francisco, EUA, autor de livros como “Salvando o seu coração”, “Amor e Sobrevivência”, sobre a importância de se verificar causas profundas da doença coronária, e outras, e não só abordar tratamento no nível físico da doença.

Anos atrás os Drs. M. Friedman e R. Rosenman descreveram o “Personalidade Tipo A” acreditando ser um dos fatores de risco para a doença cardíaca além de vida sedentária, colesterol alto, dieta rica em gordura de origem animal, etc. Uma pessoa com Personalidade Tipo A é alguém hostil, preocupado demais consigo mesmo, impaciente, sempre apressado, com imensa necessidade de reconhecimento e progresso, se envolve em duas ou mais tarefas ao mesmo tempo, obsessivo com suas metas.

Outro fator que favorece doença do coração é a sensação de isolamento. Dr. Ornish diz: “…qualquer coisa que promova uma sensação de isolamento leva ao estresse crônico e, na maioria das vezes, a enfermidades como a doença do coração. Por outro lado, qualquer coisa que leve a uma real intimidade e a sensações de contato pode ser curativa no verdadeiro sentido da palavra… a capacidade de sentir-me íntimo há muito tempo tem sido considerada como a chave para a saúde mental; creio que é também essencial para a saúde de nossos corações.” (Salvando o seu coração, p.91).

Você pode conseguir intimidade num sentido horizontal e num sentido vertical. Vertical tem que ver com a fé num Ser Superior, e está ligada à espiritualidade, pode ser desenvolvida pela oração, meditação, por exemplo. No sentido horizontal, depende de relacionamentos com outras pessoas e com você mesmo. É importante ressaltar que intimidade aqui não tem que ver com sexualidade. Muitos praticam sexo com frequência e não desenvolvem intimidade afetiva com outros. E outras pessoas podem ser abstêmias de sexo e conseguir construir relacionamentos afetivos com intimidade.

Então, a saúde do coração físico depende também de melhorar sua afetividade consigo mesmo e com as pessoas. Ornish explica que não é só uma questão de aprender a lidar com o estresse, defender-se dele ou lutar contra ele, mas tem que ver muito com “transcender nossa sensação de isolamento de modo que a cura real possa ter seu início – ou seja, de modo que os nossos corações – o espiritual e o psicológico – possam começar a se abrir, e não somente as nossas artérias.” (idem, p.91).

Abrir o coração emocional e espiritual significa que você aprenderá uma nova forma de crescimento, saindo do script de ter que ter coisas, para procurar ser. Nesse aprendizado que a vida pode lhe proporcionar, se você estiver aberto para a luz e a verdade, irá ver que é preciso mudar alguns padrões de funcionamento de seus pensamentos, que geram sentimentos e produzem escolhas não saudáveis. Mudar o estilo de vida também no sentido de pensar diferente e melhor, para sentir melhor e tomar decisões mais sábias.

Ornish comenta que a ciência tem verificado que “o isolamento e a supressão de sentimentos muitas vezes levam à doença, ao passo que a intimidade e o apoio social podem ser curativos.” (idem, p.92).

Vários estudos comprovaram isso, como um feito com 6.928 homens e mulheres morando nos arredores da cidade de São Francisco, na Califórnia e com 13.301 homens e mulheres de North Karelia, leste da Finlândia. Estas pessoas foram estudados durante 5 a 9 anos, e a conclusão que os cientistas chegaram é que as que estavam socialmente isolados tinham um risco 2 a 3 vezes maior de mortalidade, tanto por doença do coração quanto por outras causas de morte, quando comparadas com as que se sentiam mais ligadas aos outros. Estes resultados foram independentes de outros fatores de risco cardíaco. O simples fato de serem sócias de um clube, membros de uma igreja, diminuía muito o risco de morte prematura, dando proteção contra a doença cardíaca, mesmo se tivessem pressão alta. No próximo artigo veremos outras experiências científicas e como elas mostraram a importância dessa conexão mente-corpo-espiritualidade para a saúde do coração e, claro, de todo o ser.

PARTE 9

Essa é uma série de artigos com ideias minhas e do Dr. Ornish, cardiologista professor na California University, San Francisco, EUA, autor de livros como “Salvando o seu coração”, “Amor e Sobrevivência”, sobre a importância de se verificar causas profundas da doença coronária, e outras, e não só abordar tratamento no nível físico da doença.

Veja alguns estudos que mostraram a importância do fator afetivo ou das emoções sobre doença cardíaca:

Na Universidade de Houston, o Dr. Robert Nerem verificou algo interessante quando deram apoio social a coelhos do laboratório. Coelhos geneticamente iguais receberam alimentação rica em colesterol para que se desenvolvesse aterosclerose (placas de gordura nas artérias) e, assim, os cientistas pudessem estudar esse problema de saúde. Esperava-se que todos os coelhos desenvolvessem o mesmo problema nas artérias. Mas observaram que os que estavam nas gaiolas mais altas (eram empilhadas até o teto) desenvolviam mais aterosclerose do que os que ficavam nas gaiolas mais baixas. O que descobriram é que a técnica do laboratório que era de baixa estatura, brincava com os coelhos das gaiolas mais baixas, já que não alcançava as gaiolas mais altas, e os coelhos de cima, então, ficavam isolados sem estímulo afetivo. Repetiram o estudo e confirmaram que os coelhos que recebiam colo, com os quais se conversava e brincava, tinham uma redução de mais de 60% de aterosclerose comparados com os que eram geneticamente iguais, que haviam recebido a mesma comida, mas só receberam cuidados de rotina.

Estudos revelaram que as pessoas que vivem sozinhas tem mais doença do coração do que as vivem com alguém ou com animais de estimação, ou mesmo cuidando de plantas.

Na Faculdade de Medicina da Universidade de Stanford, o Dr. David Spiegel conduziu um estudo científico no qual pacientes com câncer de mama com metástase foram divididos aleatoriamente em dois grupos. Um grupo recebeu a assistência médica convencional, e o outro, além disso, participou de um grupo de apoio semanal durante um ano. Após cinco anos, ele descobriu que as que frequentavam os grupos de apoio tiveram uma taxa de sobrevida duas vezes maior do que o outro grupo.

A revista Science publicou um artigo no qual mostrou que as pessoas isoladas socialmente, sem terem com quem compartilhar sentimentos, tem mais risco de doenças. Nesse estudo o Dr. James House disse que “o isolamento social é tão importante para os índices de mortalidade quanto o fumo, pressão alta do sangue, colesterol alto, obesidade e falta de exercícios físicos.” (Salvando o seu coração, p. 95).

Quando a pessoa vive isolada socialmente, há uma falta que pode gerar angústia, depressão. Surge uma sensação de não ser ou não ter algo realmente bom na vida. E em geral, diz o Dr. Ornish, “o que vem depois disso é a crença de que: ‘Se ao menos eu tivesse mais dinheiro, se ao menos eu tivesse mais poder, se ao menos eu fizesse sexo com mais frequência ou com mais pessoas, se ao menos eu tivesse maiores realizações, então eu seria feliz e tudo ficaria legal e eu me sentiria bem e as pessoas me amariam e eu me sentiria ligado a elas e seria feliz.’ Ou: “Se ao menos eu fosse mais esperto, ou mais magro, ou mais gordo, ou mais bonito, ou mais musculoso, então eu seria feliz e tudo estaria legal e eu me sentiria bem, e as pessoas me amariam e eu me sentiria ligados a elas.’” (p. 96).

Mas, infelizmente, “aquilo” não conduz à felicidade que dure muito. “Para muitas pessoas, o dinheiro é a única maneira de se manter em evidência. Para outros, a moeda da autoestima é o cargo no trabalho, a classificação acadêmica ou a estatística atlética. O palco pode ser diferente para cada um de nós, mas a representação é a mesma.” (p.97).

A conclusão que Dr. Ornish chegou é que o isolamento pode conduzir à doença, ao passo que a intimidade afetiva pode levar à cura. E esse isolamento pode ser a pessoa estar isolada dela mesma, da paz interna. Pode ser isolamento dos outros e também isolamento de um Ser Superior. (p.104). E intimidade afetiva não é sexualidade. Muita gente tem muito sexo, mas não tem nenhuma intimidade afetiva nem consigo mesmo e nem com as outras pessoas. Então, é importante para a saúde física, emocional e espiritual, aprender a abrir o coração afetivo. Vamos ver isso em seguida.

PARTE 10

Essa é uma série de artigos com ideias minhas e do Dr. Ornish, cardiologista professor na California University, San Francisco, EUA, autor de livros como “Salvando o seu coração”, “Amor e Sobrevivência”, sobre a importância de se verificar causas profundas da doença coronária, e outras, e não só abordar tratamento no nível físico da doença.

É muito importante que aprendamos a olhar a dor como amiga, olhá-la como uma informação, e ver o sintoma como um alarme. Ele está dizendo algo que precisamos dar uma olhada e ver o significado. A dor é para chamar nossa atenção. Ela vem como um sinal de que algo precisa ser mudado. E pode ser dor física, emocional ou espiritual.

Se você olhá-la como inimiga, a tendência será correr para a farmácia, comprar um remédio, tomá-lo, e tentar esquecer, não pensar. Ainda que a maioria possa fazer isso, é uma loucura! Olhar a dor como uma professora e não como uma inimiga, nos ajuda a pensar em outras e melhores escolhas para eu fazer em minha vida, em novas possibilidades de viver que podem existir.

A força e a felicidade não acontecerão em nossa vida ao satisfazermos sempre e cada vez mais nossos desejos e necessidades. Pode ser exatamente o contrário, elas podem vir ao diminuirmos os desejos e o que chamamos de necessidades. Não fique pensando obsessivamente que será algo que virá de fora, será alguém em sua vida, será mais algum bem acumulado, mais um título. Interessante que João Batista quando começou a pregar sobre Jesus, ele dizia: “Arrependei-vos, pois é chegado o reino de Deus.” E Jesus disse que este reino está dentro da pessoa.  Não é algo para você acumular do que obtém fora com seu trabalho, honesto ou desonesto. É o que você pode receber dentro de si mesmo, e tem mais que ver com o desapego do que com acúmulo de coisas.

Estresse emocional pode ser resultado de você estar buscando felicidade no lugar errado. Um dia uma paciente casada já por uns 30 anos me disse, numa combinação de tristeza e irritação: “Se eu faço tudo o que meu marido quer, por que ele não se torna o que eu quero?” Onde você acha que está o foco da vida e da felicidade dessa mulher o tempo todo há anos? Em algo externo. No marido dela. Ela procura fora o que só pode ser encontrado dentro dela mesma. Se ela não pode ser feliz com ela mesma, independentemente do marido, ele nunca a poderá faze-la feliz. E ela pode adoecer de muitas enfermidades físicas psicossomáticas por causa da procura do bem estar interior no lugar errado.

O que você faz para ajudar outras pessoas? Será que o significado da vida que produz felicidade em muitos momentos não depende mais de ajudar do que ser ajudado? E não é ajudando, procurando ser útil para alguém que nossa saúde despontará? Não há alegria em dar? E não é esta alegria liberadora de hormônios, como a endorfina e serotonina, que corrigem a depressão, fortalecem a imunidade, e, assim, ajuda na cura das doenças?

Ao invés de acumular, se desvencilhe, doe, compartilhe. Procure ouvir as pessoas, prestar atenção no que elas dizem, ouvir as histórias delas e ver como você pode produzir a maior quantidade de bem para qualquer pessoa. Esse é o caminho da cura interior, do reino espiritual que produz o melhor para a recuperação de doenças, seja do coração ou não.

PARTE 11

Encerro a série de artigos com ideias minhas e do Dr. Ornish, cardiologista professor na California University, em São Francisco, EUA, autor de livros como “Salvando o seu coração”, “Amor e Sobrevivência”, sobre a importância de se verificar causas profundas da doença coronária, e outras, e não só abordar tratamento no nível físico da doença.

Dr. Ornish em seus trabalhos científicos, assim como outros pesquisadores, encontraram que é muito importante aprendermos a abrir nosso coração afetivo para que a saúde física também melhore. Isso significa sair do racional e entrar no emocional. Em outras palavras, aprendermos que não podemos controlar tudo com nossa inteligência ou mesmo experiência, que há fatores na vida, eventos, situações, fora de nosso alcance e controle, e que isso é normal. Isso é ser um ser humano, porque não somos deuses.

Aprender a nos comunicarmos melhor com as pessoas, falando à partir do coração em vez de somente de modo racional, ajuda a diminuir o estresse. Melhorar nossa interação com as pessoas, demonstrar sincero interesse por elas, não para que obtenhamos algo que queremos delas, como que usando a pessoa para nosso próprio objetivo. Mas promovendo uma comunicação humana sem querer nenhum “lucro”. E você pode fazer isso conversando um pouquinho com uma pessoa na feira ao comprar um legume, ou a caixa do supermercado, o balconista da loja, ou o varredor da rua, claro, sem atrapalhar o serviço da pessoa. É possível fazer isso sem fazer somente o procedimento “técnico” que, no exemplo de estar no caixa do supermercado, seria ver o total da compra, pegar seu dinheiro ou cartão do banco, pagar, pegar as sacolas e ir embora, sem nem dizer “obrigado” para o empacotador e caixa. Você é cortês e simpático com essas pessoas? Gasta uns 20 segundos da sua vida para falar algo animador para elas? Isso é contato humano que favorece a diminuição do estresse, tanto seu quanto da pessoa com quem você se comunica informalmente e com sinceridade, sem nenhum interesse comercial, sensual, material.

Então, aprender a ouvir melhor, e lutar consigo para não ficar numa postura de só querer dar o seu recado e lucrar, realmente abre o coração para a vida, tanto o físico, quanto o emocional e espiritual. E a saúde pode melhorar ainda mais, além dos outros fatores saudáveis, como evitar álcool, fumo, praticar exercícios físicos sistematicamente, adotar um regime alimentar vegetariano, beber água pura nos intervalos das refeições sem ficar beliscando nada, dormir mais cedo, conviver mais tempo em meio à Natureza, etc.

Também é importante parar com a obsessão de que se os resultados laboratoriais e exame médico físico, clínico, estiverem normais, então tudo está bem. Conheci pessoas vegetarianas e praticantes de exercícios físicos, que não fumavam nem ingeriam bebidas alcoólicas mas que tinham doença do pânico, câncer, e até mesmo com colesterol alterado! Como pode? Possivelmente há o fator genético, claro, mas o fator emocional, a capacidade de lidar com emoções poderia estar bem comprometida, afetando, assim, a saúde física e mental.

Dr. Ornish, professor de cardiologia da Universidade da Califórnia em São Francisco, nos Estados Unidos da América, cita o caso de um pastor que fez o programa de vida saudável na equipe dele, aprendendo estas coisas, sobre como mudar sim, seu estilo de vida alimentar e de outros cuidados físicos, mas também mudar o padrão de funcionamento emocional e espiritual. Veja o depoimento desse paciente no livro “Salvando o seu coração”, p. 126: “Lutar comigo mesmo e com a minha própria mortalidade, ajudou-me a começar a olhar as pessoas, no meu ministério, que precisavam ser olhadas de perto. E isso não somente aqueles óbvios que não tinham um lar, os famintos e os pobres. Lutar contra minha própria solidão, fome espiritual e medo dentro de mim ajudou-me a simpatizar com os outros mais eficazmente. … Tenho mais consciência de que sou um ser humano e que as pessoas com quem estou trabalhando também são seres humanos. Assim, olho para elas de modo diferente – porque todos nós temos uma necessidade, você sabe, de alimentar a pessoa faminta que está bem fundo dentro de nós.”

“Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário?” Jesus Cristo, em Mateus 6:25.

Dr. Cesar Vasconcellos de Souza

Autor: Dr. Cesar Vasconcellos de Souza

Dr. Cesar Vasconcellos de Souza, médico psiquiatra e psicoterapeuta, membro da Associação Brasileira de Psiquiatria, membro da American Psychosomatic Society, consultor psiquiatra da revista Vida & Saúde onde mantém coluna mensal, professor de Saúde Mental, visitante, do College of Health Evangelism e "Institute of Medical Ministry" do Wildwood Lifestyle Center and Hospital, Estados Unidos, Diretor Médico do Portal Natural, autor dos livros "Casamento: o que é isso?" e "Consultório Psicológico".

Artigos Relacionados:

Receba grátis nossas novidades!

Compartilhe este artigo!

2 Comentários. Participe você também!

  1. Maria de Lourdes Batista da Silva disse:

    O texto é muito valioso se todos seguissem esses conselhos viveriam bem melhor.

  2. roseli castor disse:

    gostei muito dessa pagina atualmente estou passando por uma depressao.eu nao qeria tomar remedios de novo pois ja fiz um tratamento em 2009f melhorei .mas agora pareceqe ta voltando novamente .fiko muito pressaem casa .pois sinto medo de sai na rua ;oqe devo fazer doutor. desde ja agradeço pela atençao ;

Deixe Seu Comentário

Digite o código acima*


HOME | QUEM SOMOS | CONTATO



parceiroIASDO Portal Natural é um ministério de apoio à Igreja Adventista do Sétimo Dia
Parceria:


Copyright © 2002-2015 PortalNatural. Todos os direitos reservados.

Importante: As informações contidas neste site são destinadas unicamente para fins de informações e conhecimento geral, não devendo, em hipótese alguma, ser utilizadas como diagnóstico médico ou adoção de medicamentos. Qualquer dúvida, sintoma ou preocupação quanto à sua saúde, procure orientação médica ou profissional em sua respectiva área. | Os comentários postados nos artigos não constituem necessariamente a opinião dos criadores deste site, mas sim da própria pessoa que o postou. Não são permitidos comentários com citações de nomes, telefones, emails, sites, ou qualquer outro conteúdo que venha a expor ou difamar a imagem ou o sigilo de uma outra pessoa.