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Como Lidar com o Diabetes

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DIABETES

Conheça um pouco mais sobre diabetes, um problema de saúde que atinge milhares de pessoas em todo o mundo.

 » O que é?
 » Classificação
 » A alimentação é fundamental
 » As fibras e sua importância na alimentação
 » Grupos alimentares: constituição e calorias
 » O consumo das calorias
 » Tratamento com medicamentos de uso oral
 » Tratamento com insulina
 
» Hipoglicemia, hiperglicemia e comas

O QUE É?

A palavra diabetes significa passar através de. Diabetes mellitus ou diabetes açucarado ou diabetes sacarino compreende um grupo heterogêneo de causas e manifestações clínicas, tendo como denominador comum o aumento de glicose (tipo de açúcar) no sangue, decorrente na maioria das vezes da produção alterada de insulina pelo pâncreas, ocasionando alterações no metabolismo de proteínas, de gorduras, de sais minerais e principalmente de glicose.

PÂNCREAS E INSULINA

O pâncreas é um órgão localizado na cavidade abdominal, atrás do estômago; produz hormônios (insulina e glucagon) que atuam no metabolismo de hidratos de carbono, proteínas e gorduras e enzimas digestivas para a transformação dos alimentos.

A produção de insulina é regulada em resposta à qualidade e quantidade alimentar; impede que a glicose no sangue (glicemia) ultrapasse 160 a 180 mg%. A glicose é a principal substância que o corpo dispõe para a geração de energia.

Outras funções da insulina:

1. Com exceção do sistema nervoso, glóbulos vermelhos e células dos rins, os outros órgãos necessitam de insulina para a facilitação de entrada de glicose nas células.

2. Armazena glicose no fígado e músculos na forma de glicogênio (reserva de glicose).

3. Fundamental na fabricação de tecido gorduroso e crescimento ósseo.

O QUE ACONTECE COM UMA PESSOA DIABÉTICA?

  1. Na maioria dos diabéticos há uma diminuição absoluta ou relativa de insulina. Nos obesos, a insulina no sangue geralmente está aumentada.

  2. A glicose no sangue (glicemia) sobe em jejum e/ou após alimentação, e quando ultrapassa 160 a 180 mg% (hiperglicemia), é eliminada pela urina (glicosúria).

  3. A glicosúria “arrasta” mais água, aumenta o volume de urina (poliúria), que fica mais clara, a pessoa urina mais vezes, e em grande quantidade (urina doce).

  4. A poliúria leva à perda de água corpórea (desidratação). A reposição se faz através da ingestão de mais líquidos (polidipsia) aumentando a sede.

  5. Como falta glicose dentro das células, aumenta a fome (polifagia).

  6. Para manter o fornecimento energético, o corpo inicia a utilização de proteínas (massa muscular) e tecido gorduroso levando à fraqueza muscular e emagrecimento. No Tipo I, em etapa posterior, a gordura se transforma em corpos cetônicos, podendo causar náuseas, vômitos e hálito de acetona, agravando a desidratação.

  7. Glicosúria em contato com os genitais causa coceira (prurido) e secreção branco-leitosa (fungos).

  8. Hiperglicemia pode causar sonolência, cãibras e turvação de visão.

CLASSIFICAÇÃO

Tipos mais freqüentes de diabetes:

  TIPO I – infanto juvenil instável, estável insulino dependente TIPO II – do adulto não insulino dependente
Idade de aparecimento Crianças e Jovens 30 a 40 anos ou +
Aumenta o peso raro comum
Níveis de insulina baixos normais ou elevados
Viroses com causa freqüentes raros
Anticorpos anti-ilhotas ocorrem raros
hereditariedade incomum freqüente
Tendência à cetoacidose freqüente rara
Necessidade de insulina freqüente incomum
Aumento do glucagon absoluta relativa
Prevalência (população afetada) 0,2% 1 a 5%
Incidência/100 mil habitantes 3 a 20 100 a 150

Outros tipos:

1. Diabetes gestacional: aparece na gravidez, persistindo ou não pós-parto.

2. Diabetes secundário ou aumento de função de glândulas endócrinas: tireóide (hipertireoidismo) – supra-renal (D. de cushing) – hipófise (acromegalia ou gigantismo). Após o tratamento dessas doenças, geralmente regride o diabetes.

3. Diabetes secundário à doença pancreática: retirada cirúrgica de 75% do pâncreas – Pancreatite crônica (alcoolismo) – Destruição pancreática por depósito de ferro (hemocromatose).

4. Resistência congênita ou adquirida de insulina: a produção de insulina é aumentada porém com ação ineficaz, decorrente de diminuição ou defeito de receptores celulares (encaixes para insulina, em tecido gorduroso, músculo, etc. à insulina).

5. Diabetes familiar auto-imune: casos raros com anticorpos anti-ilhotas pancreáticas produtoras de insulina e anticorpos contra outras glândulas endócrinas (tireóide, supra-renal), mucosa do estômago, antimúsculo e glândulas salivares.

POSSIBILIDADE DE OCORRER DIABETES EM FAMILIARES

Exemplos:

A - Filhos de ambos pais com diabetes Tipo II: 35% serão diabéticos (6% do Tipo I, 24% do Tipo II e 5% com intolerância a glicose oral).

B - Filhos de pais com diabetes Tipo I e outro Tipo II: Risco incerto, predomina Tipo I.

C - Filhos de ambos pais com diabetes Tipo I: 0% do Tipo II e 1,9 a 5% poderão ter Tipo I.

Fatores que favorecem o aparecimento mais cedo do diabetes:

 

  • Obesidade (aumento de peso)

  • Infecções

  • Gravidez

  • Cirurgias

  • Emoções fortes (traumas emocionais)

  • Estresse

  • Uso de medicamentos diabetogênicos em doses altas e por tempo prolongado (cortisona, diuréticos, alguns betabloqueadores, estógenos).

  •  

    A ALIMENTAÇÃO É FUNDAMENTAL

    Todas as pessoas, inclusive os diabéticos, para ter uma alimentação adequada, objetivando a boa saúde, deverão ingerir calorias necessárias à reposição do gasto diário, bem como os nutrientes básicos e indispensáveis para a manutenção da vida; proteínas (mínimo 1g/dia/Kg peso), hidratos de carbono (mínimo 100g/dia), gorduras (preferencialmente de origem vegetal), sais minerais e vitaminas.

    Funções básicas e fontes dos principais nutrientes:

    Proteínas: são fundamentais na constituição e construção do ser humano. Formam o arcabouço de todo o corpo (esqueleto, músculos, pele, etc), os órgãos (coração, pulmões, rins, sangue, intestino, etc.). São essenciais no crescimento; componente importante do leite materno; repõem o desgaste dos tecidos (perda protéica diária). Formam substâncias capazes de auxiliar o organismo tanto no seu funcionamento como em sua defesa contra as enfermidades. Fontes: soja, carne, vísceras, peixes, ovo, leite e derivados. Em pequena quantidade: cereais, leguminosas e raízes.

    Hidratos de carbono (glicídios ou açúcares): fornecem energia facilmente utilizável para as funções dos órgãos do corpo. Quando em excesso, armazenam-se na forma de gordura, na presença de insulina. Fontes: cereais (arroz, milho, trigo, centeio, cevada), leguminosas (soja, feijão, lentilha, ervilha, grão-de-bico, raízes (batata, mandioca, mandioquinha, cará, tapioca, beterraba) e açúcares (cana-de-açúcar, açúcar mascavo, mel, balas, sorvetes, refrigerantes, chocolates, bolos, pudins).

    Gorduras: importantes como invólucro e sustentação de órgãos do corpo; verdadeira barreira térmica (mantêm o calor); reserva e fornecimento de energia nos períodos longos sem alimentação. Fontes: origem vegetal, que devem ser preferidas (soja, azeite, margarina vegetal, óleos (soja, girassol, milho), abacate, nozes, coco, avelâ, castanha de caju, amendoim), origem animal, que devem ser evitadas por serem ricas em colesterol (manteiga, nata, creme de leite, etc).

    Sais minerais: são importantes nas formações dos tecidos, no funcionamento das glândulas, na regulação do ritmo cardíaco e respiratório, na digestão e absorção dos alimentos. Fontes: encontrados em quase todos os alimentos de origem animal e vegetal (hortaliças).

    Vitaminas: regulam o metabolismo e o crescimento das células, participam do mecanismo da visão e da fixação do cálcio e fósforo nos ossos. Colaboram na formação dos tecidos e da defesa orgânica. Fontes: todas as frutas e hortaliças (legumes e verduras), brotos de soja.

    AS FIBRAS E SUA IMPORTÂNCIA NA ALIMENTAÇÃO

    Fibras são, na sua grande maioria, hidratos de carbono complexos, de difícil digestão. Apesar de conterem açúcares na sua constituição, estes não conseguem ser absorvidos e passar para o sangue. Daí sua grande vantagem para os diabéticos! Presentes nas hortaliças, nas leguminosas e principalmente nos cereais integrais (arroz, trigo, centeio, aveia, etc), além de algumas frutas como pêra e maçã. São importantes para a manutenção da flora (sintetiza vitaminas) e funcionamento intestinal. Quando ingeridos, saciam a fome.

    Soja

    Leguminosa rica em proteínas e gorduras. É chamada de “ouro alimentar”. A composição aproximada de 100g do grão é: 39,4g de proteínas, 21,8g de gorduras e 10,4g de hidratos de carbono. É indicada como substituto de proteínas com grande vantagem alimentícia e econômica.

    A grande limitação encontrada para o uso do grão de soja é seu gosto ligeiramente amargo. Elimina-se esse gosto, deixando de molho, trocando a água 2 a 3 vezes até que o grão cresça. Após o cozimento, pode ser usado como tal em saladas, adicionando-se ao feijão comum, ou torrando-o igual ao amendoim. Podemos espremê-lo em espremedor de batatas para conseguir a “massa de soja”. Esta poderá substituir 1/3 a 1/5 do total de qualquer farinha (trigo, milho ou mandioca) para o preparo de macarrão, bolinho, empada, pizza, bolos, tortas e pudins. Triturando-se os grãos e adicionando-se caldo de carne e um pouco de farinha de trigo obteremos a carne de soja. Pelo fato de a soja não ter sabor próprio, mas ter a propriedade de exacerbar o gosto dos temperos, devemos em todas as receitas reduzir a quantidade dos temperos utilizados. Uma xícara de chá de soja cozida contém aproximadamente 200 calorias.

    GRUPOS ALIMENTARES: CONSTITUIÇÃO E CALORIAS

    (P=proteínas, HC=hidratos de carbono, G-gorduras)

    Alimentos permitidos sem restrições: água, chá, caldo de carne magra, limão, picles, alho, canela, baunilha, cominho, louro, orégano, sal, etc.

    GRUPO I – HORTALIÇAS (praticamente sem calorias – à vontade): acelga, agrião, aipo, alcachofra, alface, almeirão, aspargo, berinjela, caruru, cebolinha, chicória, couve-flor, escarola, espinafre, folhas de beterraba, jiló, maxixe, pepino, pimentão, rabanete, repolho, salsa, salsão, tomate.

    GRUPO II – meia xícara das de chá = 35 calorias (P-2g HC-7g): abobrinha, abóbora, alho-poró, beterraba, bócolis, cenoura, cebola, cogumelos, couve, ervilha fresca, palmito, nabo, quiabo, vagem, chuchu.

    GRUPO III – uma porção referida = 82 calorias (P-7g G-6g):

    • 25g de grão de soja, 1 ovo

    • 50g de carne, frios, hambúrguer, miúdos, miolo, língua, fígado

    • 60 a 80g de aves e peixes

    • 30 a 40g de qualquer queijo, ricota, 1 colher de sopa de requeijão

    GRUPO IV – CEREAIS – uma porção referida = 70 calorias (P-2g HC-15g): 1 fatia de pão comum, de centeio ou torrado, 2 fatias de pão de glúten, 1/2 pãozinho francês, 1 batata média, 1 xícara das de chá de macarrão cozido, 2 bolachas de água e sal, água ou cream crackers, 1 bolacha Maizena ou Maria, 1 colher de sopa de Toddy, Nescau ou Ovomaltine, 2 colheres de sopa de: arroz cozido, Maizena, farinhas, tapioca, aveia, 4 colheres de sopa de: aveia cozida, milho, feijão, ervilha, lentilha, 3 pedaços pequenos de mandioca e mandioquinha, 1 sorvete de fruta.

    GRUPO V – FRUTAS – uma porção referida = 40 calorias (HC-10g):

    • 1 fatia de abacaxi, melancia, mamão, melão

    • 1 banana, caqui, goiaba, laranja, manga, pêra, figo, pêssego, maçã

    • 2 ameixas secas, tâmaras, damascos, ameixas, nêsperas

    • 10 morangos, 12 uvas, 1/2 copo de suco de laranja

    GRUPO VI – GORDURAS – uma porção referida = 45 calorias (G=5g)

    • 1 colher de chá: óleo, azeite, manteiga, margarina, maionese

    • 1 colher de sopa de creme de leite, 30g de azeitonas

    GRUPO VII – LEITE E DERIVADOS – uma porção = 150 calorias (P-8g HC-12g G-8g): 40g de soja em grão, 1 copo de leite, 1 iogurte ou coalhada, 1 1/2 copos de leite ou iogurte desnatado, 3 medidas de leite integral em pó.

    BEBIDAS

    • 1 copo de refrigerante: 80cal. (HC-20g)

    • 2 copos de cerveja: 110cal. (HC-16g)

    • 1 copo de vinho ou mermouth: 160cal. (só álcool)

    • 1 dose de uísque, gin, vodka, pinga: 145cal. (só álcool)

    • 1 copo pequeno de licor: 145cal. (HC-25g)

    Obs: As bebidas alcoólicas são mencionadas nesta tabela apenas a título de prestar informações a respeito de seu teor calórico. Desaconselhamos inteiramente o uso de bebidas alcoólicas, considerando-as prejudiciais à saúde.

    OUTROS ALIMENTOS

    50g de amêndoas ou pistache – 320cal; 100g de abricó – 55cal; 1 bife à milanesa – 360cal; 50g de batatas chips – 180 cal; 50g de bolachinhas de queijo – 250cal; 100g de caviar – 290cal; 100g de cebolinha em conserva – 55cal; 1 coxinha, 1 empada ou 1 pastel – 180cal; 50g de castanha de caju ou pará – 300cal; 100g de figo seco ou pêssego seco – 250cal; 50g de pipoca estourada – 210cal; 100g de pinhão cozido – 210cal; 1/8 de pizza – 210cal; 100g de salmão – 210cal; 50g de semente de abóbora – 290cal; 100g de tremoço – 110cal.

    O CONSUMO DAS CALORIAS

    Necessidade calórica basal (sem atividade física adicional):

    . Crianças de 2 a 15 anos (ou até o fim da puberdade): 1000cal + 100cal por ano de idade

    . Adultos (magros): Mulheres – peso x 20 a 30 cal. por kg, Homens – peso x 30 a 40 cal. por kg.

    Obs: Acrescentar ao total calculado acima, as calorias gastas quando praticar alguma atividade física adicional, como caminhadas, natação, corrida, tênis, jogos, etc.

    Composição e distribuição da totalidade calórica calculada:

    O total de calorias deve ser distribuído em 3 refeições principais (desjejum, almoço e jantar) e em 3 refeições intermediárias (lanche da manhã, tarde e ao deitar). 20% no desjejum; 20% no jantar; 30% no almoço; 10% em cada lanche. Utilizar em cada refeição alimentos pertencentes aos diferentes grupos.

    A composição da alimentação diária deverá conter aproximadamente: 40 a 50% de HC; 30 a 40% de G (vegetais de preferência); 20% de P. Recomenda-se não ingerir menos de 100g de HC por dia e menos de 1g de P por kg de peso por dia.

    A ingestão de vegetais dos grupos I e II, bem como de frutas, além de fornecer vitaminas, sais minerais e fibras, sacia a fome e não altera significativamente a glicose no sangue.

    Utilizar cereais sem triturá-los ou liquefazê-los, isto é, procurar não esmagar ou bater no liquidificador. Esse procedimento, em alguns estudos, favorece a entrada rápida de glicose no sangue no período pós-alimentar.

    A água de fervura de vegetais é rica em sais minerais. Não desprezá-la e sim utilizá-la em sopas, etc.

    Pacientes que utilizam a insulina, antes de exercícios intensos ou não habituais, deverão ingerir sucos de frutas ou leite para evitar hipoglicemia, durante ou logo após os exercícios.

    As bebidas alcoólicas potencializam (aumentam) a ação da insulina e dos comprimidos para diabéticos. Podem causar baixa de açúcar (hipoglicemia).

    Se desejar, clique aqui e consulte nossa tabela de gastos calóricos por exercícios e fique sabendo uma média de quantas calorias você gasta praticando sua atividade predileta.

    Os diabéticos com peso superior ao desejável, devem aumentar os exercícios diários e reduzir progressivamente a ingestão alimentar em 20 a 40% do total calórico calculado.

    Esses conhecimentos poderão proporcionar ao diabético uma alimentação balanceada e programada, não limitante, versátil e cômoda. A manutenção do peso próximo ao ideal, associado a um melhor controle da glicemia e da glicose, proporcionarão ao diabético melhor rendimento no trabalho, maior rendimento mental, social e emocional, maior resistência a infecções, menor despesa médica e, finalmente, maior capacidade geral e melhor saúde.

    TRATAMENTO COM MEDICAMENTOS DE USO ORAL

    São substâncias derivadas das sulfoniluréias e das biguamidas. As primeiras atuam basicamente no estímulo de fabricação de insulina pelo pâncreas e no aumento de receptores (encaixes) de insulina em alguns tecidos, favorecendo a ação da insulina. As biguanidas não atuam na fabricação de insulina. Atuam na potencialização da ação da insulina, no aumento do número de receptores e na diminuição da formação de glicose pelo fígado.

    As sulfoniluréias estão indicadas geralmente em diabetes Tipo II sem tendência à cetoacidose, com glicemia inferior a 300mg%, quando necessita menos de 40U de insulina para o bom controle, quando somente a dieta não consegue reduzir a glicemia a níveis normais.

    As biguanidas podem ser usadas em diabéticos obesos, associadas ou não às sulfoniluréias. Seu uso prolongado pode reduzir o peso de diabéticos obesos. Nos diabéticos Tipo I, podem ser usadas associadas à insulina nos casos de diabetes muito instável ou naqueles insulino-resistentes (necessitam de grandes doses de insulina).

    Precauções e contra-indicações:

    Sulfoniluréias: Os efeitos colaterais podem ocorrer em 3% dos pacientes. Entre eles destacamos: anemia hemolítica, reações alérgicas, náuseas e vômitos, reações indesejáveis com bebidas alcoólicas, depressão da medula óssea. Em diabéticos idosos e/ou com diminuição da função renal, poderão apresentar hipoglicemia (principalmente à clorpropamida), pelo fato de serem eliminadas pelos rins, e acumulando assim no sangue. Nesses casos, deve-se reduzir a dose diária. As drogas que potencializam o efeito hipoglicêmico das sulfoniluréias principalmente nos diabéticos bem controlados são: salicilatos (aspirina), fenilbutazona, heparina, anticoagulantes, sulfonamidas, clofibrato, propanolol, probenecid, cloranfenicol, inibidores da MAO, e álcool.

    Biguanidas: Os efeitos colaterais mais freqüentes são: náuseas, vômitos, gosto metálico, diarréia (passageira). As biguanidas não podem ser usadas em pacientes com aumento de uréia e creatinina no soro, com insuficiência hepática e respiratória, na insuficiência cardíaca congestiva, no enfarto recente e na presença de história de acidose lática. A droga deverá ser suspensa em casos de cirurgia, nas infecções graves (principalmente urinárias), hemorragias importantes e anemia avançada. Recomenda-se interromper a medicação quando for fazer urografia excretora, e reintroduzi-la 2 dias após.

    TRATAMENTO COM INSULINA

    Insulina é um hormônio protéico produzido pelo pâncreas e tem como função básica a manutenção da glicemia dentro dos limites de normalidade.

    Indicação: Na maioria dos diabéticos Tipo I; em casos de coma ou cetoacidose; em gestante diabética, complementando temporariamente o uso de comprimidos orais, quando deixam de ser eficazes no controle da glicemia; na vigência de algumas infecções no diabético Tipo II; na recuperação de peso, quando extremamente baixo; durante e pós cirurgias.

    Tipos de Insulina

    1. INSULINA CRISTALINA, SIMPLES OU REGULAR(R): assemelha-se à água de rocha, cristalina e transparente. Pode ser injetada no músculo(IM), subcutânea(SC) e também na veia(EV). Sua ação inicia após 30 a 60 minutos, atinge o máximo no sangue 2 a 4 horas e dura 6 a 7 horas. Nomes comerciais: Biohulin(humana), Monolin R(monocomponente suína), Iolin S R(suína purificada), Insulina Mista R(suína e bovina). Indicação: complementação da insulina lenta, em cirurgias, em urgências, em cetoacidose, em coma cetoacidótico. Não deve ser usada isoladamente para o controle rotineiro do diabetes.

    2. INSULINA LENTA, NPH ou N: o conteúdo é leitoso, turvo. Pode ser injetada no músculo(IM) e subcutânea(SC). Nunca injetar na veia. Sua ação inicia após 1 a 3 horas, atinge o máximo no sangue(pico) 6 a 12 horas e dura 20 a 24 horas. Assim, se injetarmos próximo das 6 ou 7 horas da manhã teremos o pico próximo das 12 ou 13 horas(almoço), perdurando até 18 ou 19 horas(jantar). É a insulina que mais se aproxima do ideal no controle rotineiro de diabetes. Nomes comerciais: Biohulin L, Monolin N, Iolin N, Insulina NPU, Insulina S Lenta. Indicações: iguais às indicações gerais acima mencionadas excluindo em coma e cetoacidose.

    Insulina U 100 e Seringas

    Atualmente objetivando à padronização, as insulinas estão sendo comercializadas na concentração U-100, ou seja, unidades em 1cm3(=1ml), sistema decimal para facilitar o uso, ficando abolidas as apresentações U-80 e U-40.

    Usa-se a seringa de insulina descartável ou seringa de vidro “Tuberculina” com escala de 0 a 100, e a leitura das unidades é direta, ou seja, funciona como uma fita métrica. A seringa/agulha descartável de plástico, poderá ser usada até 5 vezes, desde que se adote o seguinte procedimento: após o uso, com movimentos de vaivém, elimina-se a insulina que ficou no canhão da agulha; tampa-se com o protetor da agulha, coloca-se na embalagem original e esta em saco plástico limpo sem uso e sem furos; fecha-se bem e coloca-se no congelador. A seringa de vidro deve ser bem lavada após o uso com água e a seguir um dos dois procedimentos:

    1. Sempre em um recipiente exclusivamente reservado para tal fim, separar o êmbolo do tubo, e ferver no mínimo 5 minutos. Escorrer a água quando ainda quente e logo após sem tocar com as mãos no corpo do êmbolo (a parte que ficará dentro do tubo), colocar o êmbolo no tubo e com movimentos de vaivém secar a seringa antes de aspirar insulina.

    2. Após lavá-la ou não, separando o êmbolo do tubo, manter em um recipiente destinado para tal fim, com álcool, as duas partes completamente mergulhadas. Antes de utilizar, com o mesmo procedimento anterior, secar bem, pois a presença de álcool provoca ardor ao injetar. Uma vez por semana, deve-se trocar o álcool, bem como ferver as seringa para retirar a insulina aderida ao vidro.

    Locais de aplicação

    É recomendável variar os locais de aplicação da insulina, preferindo-se a face anterior da coxa, face externa do braço, nádegas e região abdominal. A distância melhor entre uma aplicação e outra deve ser 3cm.

    A insulina é absorvida mais rapidamente nos braços e mais lentamente nas coxas. No abdome, o tempo é intermediário. Os fatores que aumentam a absorção de insulina são: massagem local, exercícios físicos logo após o banho morno local.

    É importante salientar que a velocidade de absorção da insulina varia com cada pessoa, fato que determina a necessidade de controle individual com exames de glicose na urina (glicorúsia) várias vezes por dia e exames de glicemia.

    Técnicas de aplicação

    1. Separar o material a ser utilizado

    2. Lavar bem as mãos com água e sabonete

    3. Mantendo o frasco de insulina entre as duas mãos, fazer movimentos de vaivém, sem fazer espuma

    4. Com um chumaço de algodão embebido em álcool, esfregar a tampa de borracha do frasco de insulina.

    5. Com a tampa voltada para baixo, injetar ar com a seringa (mesma dose que irá aspirar). Aspirar lentamente a insulina. Caso venha ar, bata suavemente na parede do tubo para que as bolhas subam. Reinjete o ar no frasco de insulina quantas vezes for necessário até que a seringa contenha somente insulina.

    6. Retirar a seringa, prendendo o êmbolo com um dos dedos e na posição horizontal.

    7. Coloque a seringa com insulina em cima de uma superfície plana, de maneira que a agulha não toque em nada.

    8. Pegar com o polegar e indicador da mão que pinçará a pele, o chumaço de algodão/álcool, passar na área a ser injetada(10x10cm). Pinçar a prega cutânea e injetar a insulina entre os dois dedos, perpendicular ou levemente inclinada (nunca rente à pele). A injeção é indolor.

    9. Retirar a agulha e passar o algodão/álcool.

    Acreditamos que o melhor aplicador de insulina é o próprio paciente ou seus familiares próximos, além de torná-lo independente, e melhor conhecedor de seu autocontrole. A maioria dos pacientes ou familiares consegue aprender a técnica de aplicação de insulina com uma só explicação.

    Reações e efeitos colaterais

    1. Atrofia de pele: a gordura subcutânea torna-se mais delgada, aparecendo como afundamento da pele. Ocorre mais nas mulheres. Trata-se com injeções de insulina monocomponente ou humana nos locais afetados até que se recupere.

    2. Hipertrofia de pele: oposto ao anterior, a pele fica espessa, formando saliência. Ocorre quando se injeta todos os dias no mesmo local e mais freqüentemente nos homens. O tratamento consistem em deixar de aplicar no local afetado até que recupere.

    3. Alergia à insulina: às vezes, no local da aplicação, observa-se vermelhidão ou mais raramente placas de urticária. Ser persistir, usar insulina monocomponente ou humana.

    4. Edema: no início da insulinoterapia, pode-se verificar inchaço nos pés e mais raramente na face. Geralmente é transitório e desaparece após algumas semanas. Em certas ocasiões, poderão ser usados diuréticos por pouco tempo.

    5. Hipoglicemia (baixa ou queda do açúcar no sangue): sem dúvida, é a reação mais encontrada no tratamento com insulina. O quadro clínico se encontra no item específico.

    A seguir, várias condições que podem estar relacionadas à hipoglicemia: dose exagerada de insulina; exercícios exagerados não habituais; ingestão de alimentos reduzida em relação ao habitual; aumento do intervalo entre as refeições/lanches; ingestão de bebidas alcoólicas, principalmente desacompanhada de alimentos; pacientes com diminuição da função renal (creatinina e uréia aumentadas); presença de vômitos ou diarréia (diminuem a absorção dos alimentos); em casos de melhora de controle do diabetes, necessitando assim diminuir a insulina.

    Gostaria de salientar que a insulina não é prejudicial à saúde, não “vicia”, não causa cegueira como alguns pensam. Seu uso implica obrigatoriamente em saber o máximo possível sobre insulina, cuidar do fracionamento alimentar, não deixar de fazer o lanche noturno, bem como não ficar mais de 3 horas durante o dia sem ingerir qualquer alimento. Acertar a dose diariamente, de acordo com a pesquisa de glicose na urina antes das principais refeições, em jejum e ao deitar, é FATO OBRIGATÓRIO PARA QUEM USA INSULINA. Esse acerto em certas ocasiões deverá ser complementado com a glicemia, segundo a orientação médica.

    HIPOGLICEMIA, HIPERGLICEMIA E COMAS

    O reconhecimento dessas situações em tempo hábil tem contribuído substancialmente para a diminuição de complicações, hospitalizações e gastos desnecessários.

    A grande diferença entre hipo e hiperglicemia está na forma de instalação. A hiperglicemia, na maioria das vezes apresenta os mesmos sintomas de instalação do diabetes, de maneira gradual enquanto que a hipoglicemia se instala abruptamente, de um momento para outro, sem dar, em muitas ocasiões, “avisos” prévios. A seguir, veremos outras principais diferenças entre elas:

    SINTOMAS HIPERGLICEMIA (AÇÚCAR ALTO) HIPOGLICEMIA (BAIXA DE AÇÚCAR)
    sede muita normal
    urina muita normal
    fome muita muita ou normal
    perda de peso sim não
    pele seca sim normal
    boca seca sim normal
    suores não sim ou não
    tremores não sim ou não
    fraqueza sim sim ou não
    cansaço sim não
    glicose na urina alta baixa
    glicose no sangue alta baixa
    cetona na urina presente ausente ou presente
    hálito cetônico presente ou ausente ausente

    Em situações que a pessoa for encontrada desacordada, deve-se prestar atenção nos seguintes tópicos que auxiliarão no reconhecimento e na conduta a ser tomada imediatamente:

    . Coma cetoacidótico: olhos encovados, boca seca, língua seca, hálito de maçã, face às vezes avermelhada, respiração profunda e lenta, presença de vômitos. Nesses casos, deve-se levar o paciente a um centro hospitalar que tenha UTI.

    . Coma hipoglicêmico: sudorese profusa, roupa molhada de suor, palidez, pele fria e úmida, em pessoas mais idosas pode ocorrer hemiplegias, em crianças pode ter convulsão, respiração normal, boca e língua úmidas. Nesses casos, deve-se imediatamente colocar entre as bochechas e os dentes açúcar puro (duas a quatro colheres de sopa) paulatinamente, ao mesmo tempo procurar alguém que injete glicose a 25% ou 50% na veia totalizando 20 a 60ml e caso não “acorde” levar a um hospital ou pronto socorro para que complete os cuidados iniciais.

    A importância da pesquisa de glicose na urina e de cetona (nos casos de diabetes Tipo I) encontra mais uma grande aplicação nessas eventualidades de urgência. O grande problema encontrado pelos pacientes é a interpretação de glicose positiva na presença de quadro hipoglicêmico. Queremos lembrar que a urina que estava armazenada na bexiga é resultante das variações da glicose no sangue desde a última vez que urinou até a presente coleta. Ora, a hipoglicemia é um fenômeno momentâneio; assim poderemos ter baixa de açúcar no sangue com glicose na urina alta; para contornarmos este problemas devemos ingerir água no momento determinado e fazer novamente a pesquisa agora com a urina correspondente ao período presente que terá a glicose negativa.

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    10 Comentários. Participe você também!

    1. Parabéns pelo artigo, está bem completo e aborda detalhes importantes.

    2. CARLÃO disse:

      Essa Insulina NPH é uma faca de dois gumes, pois pode dar picos sérios de Hipoglicemia, a Insulina Glargina (Lantus), é 1.000 vezes melhor que a NPH

    3. Flavia disse:

      Excelente artigo. Muito completo.

      A diabetes apesar de assustar, pode ser controlada ao adotarmos um estilo de vida mais saudavel..

    4. Excelente artigo! A abordagem sobre a alimentação ficou bem completa, aliás a alimentação é muito mais importante do que qualquer medicação na cura do diabetes.

    5. rosa disse:

      gostaria de saber melhor como lidar com uma pessoa com diabetes, ate que ponto devo ser rigida sobre a alimentaçao e quais sintomas mais aparente para saber se a diabetes esta alta? ou baixa ja que minha mae tem diabetes alta e minha sogra tem baixa demais???

    6. janaina disse:

      pessoas diabeticas tem dificuldade de fecundaçao.De ter filhos?

    7. roseli disse:

      Gostaria de saber se em um mix de arros intrgral que contem cevada se um diabetico pode fazer uso continuo.

    8. IVA ROCHA disse:

      POUCOS ARTIGOS SÃOTÃO ABRANGENTES E ESCLARECEDORES COMO ESSE. TENHO LIDO MUITO A RESPEITO DE DIABETES MAS NÃO TINHA ENCONTRADO NENHUM QUE JUNTASSE INFORMAÇÕES PRECISAS, CLARAS E OBJETIVAS COMO ESSE. OBRIGADO E PARABÉNS. UM ABRAÇO

    9. Ariane disse:

      pastel faz mal p/ uma pessoa com diabete??

    10. josé benedito da silva disse:

      gostaria de saber se acerveja faz mal para o diabete

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