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Guerra Contra a Fitoterapia?

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Fitoterapia (do grego therapeia = tratamento e phyton = vegetal) é o estudo das plantas medicinais e suas aplicações na cura das doenças.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Fitoterapia O mundo caminha, apesar da guerra acirrada dos laboratórios de produtos sintéticos, para uso mais amplo das ervas medicinais.

Importante entender que fitoterápico é diferente de homeopatia e de florais. A ciência chamada Farmacologia explica os mecanismos de ação dos fitoterápicos, mas não consegue explicar os dos produtos da homeopatia e nem dos florais.

Na Alemanha 75% da população já utiliza produtos fitoterápicos. Ela detém 39% do mercado europeu, apesar de possuir somente 20 plantas próprias da região, enquanto que o Brasil possui cerca de 25 mil espécies.

Há um grupo de cientistas, a Comissão E, que estuda e pesquisa a fitoterapia e aprova, ou não, o uso de algum produto botânico pelas pessoas. Nas Faculdades de Medicina da Alemanha, estuda-se fitoterapia que é prescrita por 70% dos medicos, contra 3% no Brasil.

Em 2004, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) publicou uma resolução (RE 89) que facilitava o registro de 34 fitoterápicos, com a intenção de incentivar a produção e baratear o custo para o público.

(dados de http://www.neomondo.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=150:fitoterapia-a-medicina-sustentavel&catid=57:saude&Itemid=60 24Ago10

Um livro com 519 páginas, chamado “Herbal Medicine: Expanded Commission E Monographs”, Mark Blumenthal ISBN-10: 0967077214 apresenta informações científicas sobre ervas medicinais. O livro encadernado custa 70 dólares no www.amazon.com Ele apresenta extensiva supervisão e referências científicas sobre o tema.

No Brasil, veja um excelente trabalho que você pode baixar na Internet no endereço: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/fitoterapia_no_sus.pdf entitulada “A Fitoterapia no SUS e o Programa de Pesquisas de Plantas Medicinais da Central de Medicamentos” publicada pelo MINISTÉRIO DA SAÚDE, Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos Departamento de Assistência Farmacêutica em 2006.

O Sistema Único de Saúde (SUS) financiou seis novos medicamentos fitoterápicos. A partir de 2010, os postos de saúde poderão oferecer fármacos produzidos à base de alcachofra, aroeira, cáscara sagrada, garra do diabo, isoflavona da soja e unha de gato. Com isso, o número de fitoterápicos financiados pelo SUS passa de dois para oito. Os novos produtos – preparados, a partir de plantas medicinais – são indicados para o tratamento de problemas, como prisão de ventre, inflamações, artrite reumatóide e sintomas do climatério.

Os medicamentos são extraídos de espécies da flora brasileira não ameaçadas de extinção. Assim, o financiamento segue a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), de que os países usem os recursos naturais disponíveis, no próprio território, para promover a atenção primária à saúde.
Fonte: Pharmacia Brasileira – Setembro a Dezembro 2009 p.31 – http://www.sejaexcelente.com.br/uteis/Fitoterapicos-na-Rede-Publica.pdf

Comprei há uns dois ou três anos um livro chamado “Natural Medications for Psychiatric Disorders: Considering the Alternatives”organizado por David Mischoulon e Jerrold F. Rosenbaum, ambos da Harvard University. Neste livro há capítulos sobre fitoterápicos, como o Hipérico, a Valeriana, entre outros produtos.

 


 

Na primeira parte dessa série de artigos coloquei algumas referências científicas sobre a fitoterapia, tentando mostrar que há cientificidade nela, e que não se trata de “chazinho” e que somente medicamentos sintéticos são eficazes.

Acima de 770 mil pessoas são acidentadas ou morrem cada ano em hospitais por causa de efeitos adversos pelo uso de medicamentos alopáticos, que pode custar cerca de 5 milhões e 600 mil dólares por ano por hospital, dependendo do tamanho do hospital. Fontes do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos. Veja em http://www.ahrq.gov/qual/aderia/aderia.htm

Não sou contra remédios alopáticos. Prescrevo-os para meus pacientes. Mas procuro fazer isto o mínimo possível, por um tempo o mais curto possível, na dosagem eficaz menor possível. Minha meta sempre é tentar ajudar as pessoas aprenderem a lidar com sua dor emocional de maneira construtiva e, assim, conseguirem eliminar as desnecessárias, para evitar que fiquem dependentes de qualquer remédio, fitoterápico ou não. Meu alvo para meus pacientes é medicação zero, e entendo que nem sempre isto é possível por razões variadas.

Nunca disse categoricamente para nenhum paciente meu que ele teria que tomar este ou aquele medicamento o resto da vida. Por que não faço isto? Porque simplesmente não sei se a pessoa irá mesmo precisar da medicação o resto da vida! Pode ser que alguns pacientes precisarão usar sempre, mas não sei o que pode ocorrer mais adiante na vida deles em termos de mudança emocional. Alguns casos ficam fora das estatísticas e surpreendem positivamente. Alguns indivíduos melhoram com, sem ou apesar da medicação. Alguns melhoram ao pararem a medicação que estava produzindo mais efeitos colaterais do que curativos. E outros melhoram passo à passo em uso de algum psicofármaco, mas tendo que fazer algo além do comprimido para obterem alivio desejado e recuperação emocional.  Remédio não resolve tudo.

Em 2005 fiz um programa de um ano de fellowship (treinamento médico) nos Estados Unidos, numa instituição que tem um Centro de Vida Saudável e um pequeno hospital onde priorizam tratamentos naturais, com hidroterapia, fitoterapia, exercícios físicos, geoterapia, vegetarianismo (vegan), eliminação de substâncias tóxicas como o álcool, tabaco, e bebidas cafeinadas, reeducação alimentar, respiração adequada, redução do estresse, repouso nas horas apropriadas, desenvolvimento de confiança, serenidade, esperança. Lá os pacientes que mais rápido respondem são os diabéticos, hipertensos, deprimidos, imunodeprimidos, obesos, ansiosos, os com dislipidemia (colesterol alto), etc. O site desta instituição é: www.wildwoodhealth.org Ela fica na fronteira entre a Georgia e o Tennessee.

Os resultados com fitoterápicos são eficazes para uma série de doenças. Temos que lembrar que os mesmos remédios (botânicos ou sintéticos) produzem resultados diferentes para pessoas diferentes. Pacientes meus passaram muito mal, por exemplo, com Rivotril, enquanto outros se deram muito bem com ele. Alguns deprimidos responderam bem com o Hipérico, enquanto com outros não houve resposta boa. Aliás, o Hipérico ou Erva de São João (Hypericum perforatum) está indicado como fitoterápico para depressões leves, podendo ser tão eficaz em algumas pessoas como os antidepressivos sintéticos, mesmo os de última geração. Mas pode não funcionar bem para depressão moderada e parece que não funciona na depressão grave.

Continua na próxima semana (esta é a segunda parte de um total de três).


Encerro hoje essa série de artigos, eliminando duas outras, pois a carta abaixo deixa claro que o Dr. Varella defende, na realidade, o uso de plantas medicinais e fitoterápicos, embora por inferência a reportagem veiculada na Rede Globo tenha deixado um tom de depreciação à estes agentes botânicos. Lamentável e irritante.

O Presidente do Conselho Federal de Farmácia, Jaldo de S. Santos, teria recebido esta carta (fonte abaixo) do Dr. Dráuzio Varella. Em negrito e entre parêntesis comentários meus.

“Caro professor Jaldo de Souza Santos:

Peço que o senhor não se preocupe com o conteúdo da série que faremos na TV. Minhas ideias sobre esse tema não são “precipitadas”.

Desde 1995 coordeno um projeto de pesquisa de atividade antineoplásica e antibacteriana em plantas da região do rio Negro, com apoio da Fapesp. Nossa extratoteca contém cerca de 2200 extratos, dos quais alguns mostraram intensa atividade antitumoral ou antibacteriana. (O próprio Dr. Dráuzio faz pesquisas com plantas medicinais).

Esses resultados têm sido apresentados em congressos e publicados em revistas especializadas nacionais e internacionais. Só uma pessoa desquilibrada faria uma série na TV para vilipendiar um campo de pesquisa ao qual tem dedicado 15 anos de atividade.

Em nenhum momento afirmei que não existem pesquisas com produtos naturais no Brasil. Seria negar a existência do projeto que coordeno e desprezar o trabalho realizado pelos jovens cientistas que a ele se dedicam em tempo integral, além de desqualificar as pesquisas realizadas nos laboratórios do país inteiro. O que condeno é a falta de estudos clínicos dignos desse nome. O senhor sabe melhor do que eu que a atividade encontrada num sistema experimental nem sempre se confirma na clínica.

Se eu tratasse meus pacientes com câncer com os extratos que mostraram atividade contra linhagens de células malignas em nosso laboratório, seria considerado criminoso. Por que essa regra não vale para os que receitam produtos que não passaram pelos estudos de toxicidade e as avaliações clínicas exigidas para os medicamentos convencionais? (medicamentos convencionais, aprovados pelo FDA Americano e ANVISA saem do mercado após surgirem efeitos colaterais graves. Lembra do antidepressivo sintético Alival do ótimo laboratório Hoechst retirado do mercado, assim como tantos outros?)

Está certo receitar extrato de alcachofra para “dores abdominais causadas por problemas hepáticos e das vias biliares” como está na lista do Ministério? Ou xarope de guaco para problemas respiratórios sem ter ideia do diagnóstico? Em que revista de impacto foi publicado o estudo que comprova a eficácia da babosa ou da graviola no tratamento do câncer? (Está certo prescrever analgésicos, anti-eméticos, anti-térmicos sintéticos sem se ter um diagnóstico?)

Em minha opinião, professor, enquanto admitirmos nesse empirismo irresponsável a Fitoterapia jamais será levada a sério no Brasil. A incrível diversidade de plantas em nossas florestas poderá ter muitas utilidades, mas entre elas não estará o uso medicinal. (laboratórios multinacionais conseguem no Brasil produtos botânicos, os processam, e nos vendem  com preços altíssimos, como a Aloe Vera. Comprei um frasco de meio litro de ótima qualidade de Aloe Vera gel nos EUA por 3 dólares e aqui no Brasil paguei pela mesma quantidade [não sei se a mesma qualidade] cerca de 13 dólares!).

Estou certo de que um Conselho respeitado como o Federal de Farmácia também não compactua com a divulgação das crendices sobre o poder de cura das plantas que se espalham pelo país, algumas da quais com a chancela de órgãos oficiais.

Ao contrário do que o senhor entendeu, para mim a Fitoterapia é um dos caminhos mais promissores para obtermos medicamentos eficazes e mais baratos do que os atuais. Talvez seja esse o futuro de uma indústria farmacêutica verdadeiramente nacional. (Maravilha! Mas será que foi isto que ficou evidenciado para milhões de pessoas que devem ter assistido àquela série de reportagens? Ou será que o que ficou foi a ideia [falsa] de que plantas medicinais e fitoterapia é charlatanismo? )

Para encerrar, professor, convido-o a fazer uma busca no Pubmed à procura de estudos clínicos de fase III envolvendo fitoterápicos.

Atenciosamente
Drauzio Varella”

Fonte: http://www.ecofarmajr.com.br/2010/nova-serie-de-drauzio-varella-causa-constrangimento-aos-farmaceuticos-do-brasil/

Dr. Cesar Vasconcellos de Souza

Autor: Dr. Cesar Vasconcellos de Souza

Dr. Cesar Vasconcellos de Souza, médico psiquiatra e psicoterapeuta, membro da Associação Brasileira de Psiquiatria, membro da American Psychosomatic Society, consultor psiquiatra da revista Vida & Saúde onde mantém coluna mensal, professor de Saúde Mental, visitante, do College of Health Evangelism e "Institute of Medical Ministry" do Wildwood Lifestyle Center and Hospital, Estados Unidos, Diretor Médico do Portal Natural, autor dos livros "Casamento: o que é isso?" e "Consultório Psicológico".

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4 Comentários. Participe você também!

  1. Fabrício Espindola disse:

    Gosto muito deste assunto. No entanto, busco informações se existe alguma graduação nesta área, sendo que, só encontro pós-graduação para formados na área da saúde.
    Poderiam informar-me se existe algum lugar que ensine e forme entendidos em Fitoterapia?

  2. Cesar disse:

    Temos uma natureza muito rica em comparação aos outros locais, porém a educação da população não está a par do conhecimento das plantas naturais. Devemos nos apoiar sempre em pesquisas bem fundadas cientificamente para esclarecer dúvidas, isso é essencial. Com a questão da população, cabe aos órgãos públicos, não só da saúde, como também da educação e cultura, orientar o uso desses medicamentos. Só assim poderemos explorar ao máximo essa riqueza natural que está a nossa disposição.

  3. Margarete bernardo disse:

    Parabéns Dr. Cesar Vasconcellos, quando assisti os comentários do Dr. Drauzio Varella senti que era uma grande obra do inimigo de nossas almas. Agradeço por esclarecer esse tema. Espero que muitos o leiam.

  4. Maria do Carmo disse:

    Parabéns, Dr. César Vasconcellos!

    Artigo Maravilhoso, com fontes de pesquisa relevantes!
    E quanto aos comentários à carta do Dr. Drauzio Varella, Que argumentos fundamentados!
    Parabéns novamente!!!

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