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Rompendo com Sofrimentos

homem-pensando

Uma pessoa escreveu-me assim: “Apaixonei-me por uma garota e me relaciono com ela há seis meses. Tenho 25 anos e ela 29, estudamos na mesma Faculdade, e sou mulher também. Sou dependente química e já fiz uso de drogas ilícitas, mas estou sóbria há oito meses, após receber ajuda no NA – Narcóticos Anônimos, e com o Deus da minha fé. Eu tenho uma fé religiosa, tenho princípios espirituais gravados em minha mente que estão vívidos, desde a minha infância. Não os esqueci. Não os acho ultrapassados. Não os desprezo no fundo de meu coração. Fui me apegando a esta garota aos poucos por causa da amizade, e tudo foi se aprofundando, por causa de minha carência de afeto, de minha solidão neste mundo contaminado e podre. Não quero esta relação homossexual. Já tive namorados homens. Quero me casar, ter filhos, ser feliz. Mas não estou conseguindo saber como me libertar deste relacionamento com esta minha colega. Ela me ajuda, é muito amiga, supercompreensiva, afetiva, mas também é muito ciumenta e possessiva e perturba minha liberdade, e não compreende questões espirituais quando quero explicar para ela como me sinto nesta situação.” Daí respondi assim para ela:

Parabéns pela sua sobriedade, um dia de cada vez! Não é fácil para um dependente químico ficar sóbrio, limpo. O mundo está drogado e permanecer sóbrio e sereno está se tornando um desafio cada vez mais difícil. Droga pode ser muita coisa, desde maconha, álcool, tabaco, cocaína, heroína, anfetamina, sexo, trabalho, comida, jogo, compras, pessoas, até religião. Droga é aquilo que alguém usa para anestesiar a dor e obter alívio de um grande desconforto que sente em seu interior, desconforto que posso chamar de angústia, ansiedade, tristeza, vazio, inquietude, vergonha, dor, medo. Um viciado em trabalho alivia sua dor emocional se tornando obcecado com o trabalho e, com isto, não dando espaço para sua dor emocional surgir em sua consciência, na mente e no coração. Neste caso, o trabalho está servindo de droga para esta pessoa, semelhantemente como a maconha para aquele que sente o mesmo desconforto e consegue o “barato” ou alívio ao fumá-la. Claro, as repercussões sobre a saúde da pessoa são diferentes dependendo do tipo de droga que ela usa. Assim como é diferente o nível de percepção da dor emocional de pessoa para pessoa. A maconha vai produzir lesões que o trabalho em excesso não fará, mas o viciado em trabalho terá alterações de saúde mais cedo ou mais tarde, inevitavelmente, por causa da sobrecarga e também porque está negando (reprimindo) sentimentos que precisaria sentir e que justamente o trabalho em excesso os tira da percepção e da experimentação.

Da mesma forma, o apego exagerado à uma pessoa, seja numa relação heterossexual ou homossexual, pode ser uma das manifestações da dependência doentia, também chamada de adicção. No seu caso, você é uma dependente química em recuperação, estando sóbria há oito meses, mas agora está recaindo, não nas drogas, mas da adicção à uma pessoa de uma forma tão forte que você passa por cima de suas próprias convicções religiosas.

Isto ocorre com muita gente, religiosa ou não, de qualquer igreja ou filosofia. Quando a necessidade afetiva mal resolvida cobra sua satisfação e necessidade de saciá-la, ela vem com tudo, com força, com obsessão e compulsão violentas, levando a pessoa a transgredir sua própria consciência por causa do desejo. Que desejo tão forte e avassalador é este?

Deve ser o desejo de ser amada, querida, compreendida, apoiada, valorizada, tocada, acariciada, que todos possuímos em intensidades diferentes, e que muitos procuram saciar de maneiras variadamente doentias, como algumas já citadas antes.

Há saída sim. Difícil, mas há. Da mesma forma como você teve que enfrentar o desejo da droga sentindo uma angústia imensa dentro do peito e não usá-la para obter alívio, teve que se afastar dos usuários de drogas, do ambiente onde a droga é consumida e traficada, e etc., assim você vai precisar cortar este relacionamento homossexual e tudo o que envolve com o homossexualismo (amizades, ambiente, literatura, pensamentos, fantasias mentais), curtir a dor emocional da perda, para conseguir aquilo que pode satisfazer seus desejos dentro de seus princípios espirituais, lhe dando paz de mente. Isto não é um preconceito contra a pessoa homossexual nem contra o homossexualismo. Você deve continuar respeitando sua colega e amiga se ela segue na vida como homossexual ou não, mas decide cortar o relacionamento por causa da sua crença de que é possível realizar seus desejos afetivos dentro de uma modalidade de viver e relacionar-se conforme sua fé instrui. É uma posição filosófica-religiosa sua e que você deve respeitar para não passar por cima de si mesma.

Seu caminho agora é muito difícil, muito doloroso, mas não há outro. Creia que a dor da perda irá passar. Voltará de novo, mas passará de novo e assim, um dia de cada vez, você pode ser fortalecida pelo Deus da sua concepção, e por sua boa vontade em se cuidar, para resistir à tendência de recair no que não quer. Também a Vida poderá por no seu caminho um homem que a ame e que possa ser seu companheiro com quem você possa ter os filhos que deseja e que não seja possessivo e tolhedor da sua liberdade como ser humano. A solução do mundo pode ser insanidade.

Dr. Cesar Vasconcellos de Souza

Autor: Dr. Cesar Vasconcellos de Souza

Dr. Cesar Vasconcellos de Souza, médico psiquiatra e psicoterapeuta, membro da Associação Brasileira de Psiquiatria, membro da American Psychosomatic Society, consultor psiquiatra da revista Vida & Saúde onde mantém coluna mensal, professor de Saúde Mental, visitante, do College of Health Evangelism e "Institute of Medical Ministry" do Wildwood Lifestyle Center and Hospital, Estados Unidos, Diretor Médico do Portal Natural, autor dos livros "Casamento: o que é isso?" e "Consultório Psicológico".

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3 Comentários. Participe você também!

  1. madson disse:

    preciso do contato do dr cesar para consulta como posos ter?
    atenciosamente

  2. Marta Gomes Ramos disse:

    Conheci um rapaz aos 13 anos, que se tornou meu namorado aos 16 e meu marido aos 19. Tivemos um relacionamento difícil no namoro com muitas brigas onde terminamos e voltamos muitas vezes até que resolvemos nos casar. Eu gostava dele e o achava sincero, mas as mentiras vieram à tona logo no início do matrimônio. Tivemos dois filhos, que foram minha alegria, porém, ele tinha ciúmes deles. Não consegui entender até hoje o que se passava na cabeça de um homem que dizia me amar, mas me maltratava e traía. Ele era opressor e como aprendi na infância que deveria ser submissa, aceitei. Não podia trabalhar nem estudar, pois ele me queria em casa somente para ele e os filhos. Foi muito difícil, mas minha auto estima baixa me fazia ficar e achar que não tinha outra alternativa para minha vida. Vivi uma vida triste durante 14 anos até que não pude mais e pedi o divórcio. Foi uma separação judicial, pois ele não suportava a ideia do divórcio. Sofri ameaças, falta de dinheiro, humilhação e muito mais. Hoje, depois de 12 anos após o divórcio, penso em me casar novamente, mas descobri que tenho medo de amar e de sofrer. Como sair disso?

  3. katia Overcenko de Luca disse:

    No meu casamento, meu marido começou a querer me isolar dos parentes, dos amigos, falava mau de todo mundo, e paralelamente a isso, me xingava sem motivos, diariamente, falava e fazia coisas para baixar minha auto estima, me depreciava constantemente, queria que eu parasse de trabalhar, mas praticamente não ajudava nas finanças da casa. Dizia que mulher é ser inferior e que nasceu só para servir o homem, era extremamente machista e desrespeitoso.
    Eu sempre acreditei que se a mulher tivesse fé, se orasse, as coisas melhorariam, aquele pensamento que com amor você consegue mudar o mundo, que o que Deus uniu o homem não separe, aí levei ele para fazer cursos na igreja, foram cursos de casais, retiros de libertação , encontro de casais, encontro com Deus, busquei tudo o que eu pude para tentar ajuda-lo, mas digo hoje, nada faz uma pessoa que não se reconhece errando a mudar, ele sempre achava que ele estava agindo corretamente, ia nos cursos , mas era como se o que era ensinado entrasse por um ouvido e saísse pelo outro, não melhorava em nada, e por vezes parecia ficar pior, paralelamente a isso, não me deixava dormir a noite, ele brigava sozinho, falando alto, por horas e horas de madrugada, várias foram as vezes que fui trabalhar no dia seguinte sem ter dormido nada. Cheguei a bater meu carro duas vezes, de tão cansada pelo stress que eu vivia com ele e pelo fato dele não me deixar dormir. Era uma necessidade enorme de me destruir, sabe aquela frase? “Destruir para dominar”, era isso, quase diariamente, e ao mesmo tempo eu me achava frágil, anestesiada naquela situação, porque por mais absurdo que pareça, existe uma dependência psicológica, no qual é muito difícil, você conseguir sair daquele relacionamento, no fundo você quer que de certo., e como se diz, a esperança é a última coisa que morre e vai suportando tudo, pois quer manter o casamento. Aí ele começou a me fazer ameaças, de acabar com a minha vida, de por veneno, dizia que eu ia ficar com depressão e morrer, e etc. Comecei realmente a ficar com medo, pois aquilo não era normal e estava me fazendo muito mau, procurei uma advogada que me orientou e hoje estou em processo de litigio, ele não aceitou fazer divórcio consensual, falava que não queria se divorciar, e que não iria sair da minha casa, pois estava muito confortável para ele, mas também não aceitava fazer um tratamento, pois eu ainda acreditava que um tratamento pudesse faze-lo melhorar, fizesse ele perceber que aquelas atitudes, de falta de respeito, ameaças e violências constantes eram erradas.
    Enfim, me decepcionei, e acabaram-se as esperanças, hoje estou aguardando a finalização do processo de litigio. Tenho as sequelas desse casamento, e ainda sofro com as consequências disso, e infelizmente é uma violência que muitos homens negam, pois, em geral, é feita dentro de quatro paredes. No meu caso ele chegou a fazer em público também, o que fez com que eu tivesse testemunhas, caso precisasse.
    Acredito que o casal deve fazer de tudo para ficar junto, mas quando só um sempre cede, e o outro não está nem aí para o sofrimento do cônjuge, aí deixa de ser casamento e vira tortura, algo que nenhum ser humano merece.

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