0

PIB ou FIB?

A revista Época de 24 Dezembro de 2007 publicou um interessante artigo de Susan Andrews sob o título ?PIB ou FIB: as lições do Butão.? Ela havia sido convidada na ocasião para participar da 3ª. Conferência Internacional sobre Felicidade Interna Bruta (FIB) e escreveu a matéria mostrando que felicidade não é encontrada no aumento da produção por exemplo, e terminou desejando que possamos alcançar prosperidade em harmonia com o planeta sem perder a verdadeira fonte da felicidade que, segundo ela, vem de nossas conexões uns com os outros, com a Terra e com o espírito dentro de nós.

Butão é um país que fica entre a China e a Índia, na Ásia, nos Himalaias. Governado por um rei ? Jigme S. Wangchuk, este país acredita que o FIB ? Felicidade Interna Bruta é o alicerce de todas as políticas de desenvolvimento do governo. O ex-ministro do Exterior da Tailândia afirmou, naquela Conferência, que apesar da aceleração do crescimento da Ásia nas últimas décadas ter alcançado o impressionante índice de 10% ao ano, muitos dizem que isto não produziu mais felicidade. Ele comentou: ?Nós aqui no sudeste da Ásia apesar dos nossos milhões de rúpias, de ringgits e de baths (moedas da Ásia), nos sentimos mais inseguros com relação a nossa vida, a nossa família, a nosso futuro do que jamais sentimos antes.?

Susan verificou que muitos palestrantes na Conferência sobre felicidade enfatizaram que enquanto o PIB (produto interno bruto, um dos indicadores mais utilizados na macroeconomia com o objetivo de mensurar a atividade econômica de uma região) se baseou na crença de que a acumulação da produção econômica leva a um maior bem-estar, as pesquisas mostram que, após certo nível de renda, o aumento da riqueza não conduz a um correspondente aumento da felicidade.

Há uma grande diferença entre ?padrão de vida? e ?qualidade de vida?, ou seja, pessoas com alto padrão econômico de vida não possuem obrigatoriamente boa qualidade de vida, pois vivem sob estresse contínuo, têm doenças degenerativas como o câncer, diabetes, etc., enfartam, têm acidentes vasculares cerebrais além de outras enfermidades.

Hoje vejos nos noticiários diários pessoas muito ricas envolvidas em fraudes constantes. Elas teriam dinheiro para viverem muito confortavelmente 3 ou 4 vidas de 90 anos cada uma, mas não se sentem saciadas com o que têm materialmente. Estranho, não é? Algumas evidenciam possuir algum transtorno mental tipo adicção (vício) ou transtorno de personalidade, ambos ligados à incapacidade de equilíbrio emocional e experimentação de paz, felicidade, serenidade. Quanto mais têm, mais querem ter sem nunca chegarem a uma satisfação interna. Isto é uma patologia da mente e do espírito. Na verdade, é uma infelicidade.

Interessante que as decisões políticas no Butão são tomadas na dependência dos indicadores do FIB que são: padrão de vida, saúde, educação, resiliência ecológica, bem-estar psicológico, diversidade cultural, uso equilibrado do tempo, boa governança e vitalidade comunitária. Segundo o diretor do Centro de Estudos do Butão a renda não é almejada como um fim em si, mas para aumentar a qualidade de vida, para obter a felicidade que é baseada na ética, em cultivar relacionamentos entre as pessoas e com a natureza, assim como a busca de felicidade interior baseada na espiritualidade.
É engraçado o que ocorre quando pessoas de famílias diferentes se encontram e uns perguntam pelos parentes da outra família e geralmente a resposta é tipo ?Ele está muito bem, é diretor da companhia X!?, ou, ?Minha filha está ótima, ela agora passou no concurso para juiz!?, ou ?Meu filho está muito feliz porque acabou de ser promovido para gerente na empresa.?, etc. São palavras que baseiam a felicidade de um indivíduo na coisa externa, seja posição social, seja econômica. Nunca ouvi alguém dizer algo: ?Meu filho está muito contente porque agora ele encontrou um sentido espiritual para a vida!?, ou, ?Minha filha está alegre porque ela fez um trabalho voluntário de muita importância para a comunidade onde vive.?, etc. Você já ouviu ou disse algo assim?

Não vamos negar a morte. Esta vida é passageira. Ela não é um fim em si. Fomos criados não para acumular bens aqui. Tudo passa. Fomos criados para viver num jardim compartilhando e em harmonia uns com os outros e com a Natureza. A vida atual chegou a um limite de artificialidade incrível. Comida artificial, relações artificiais, diversões artificiais, fingimento e cinismo, vidas vazias de sentido.

Mas você pode escolher aquilo que faz sentido, que tem substância, que realmente preenche e dá passos para a felicidade. Isto envolve o amor desinteressado entre as pessoas e a busca de justiça (pureza interior). Só dá para ter isto nascendo de novo da água e do espírito. Obtendo uma nova mente. Tendo um transplante que tira o coração de pedra e implanta um coração de carne, misericordioso, amoroso, fiel, honesto, sincero, não ganancioso, justo, verdadeiro, humilde. O resto é PIB. Ou seja, aquilo que não tem poder para mudar seu coração e produzir real felicidade.

PortalNatural.com.br

Autor: PortalNatural.com.br

Portal de saúde e bem-estar com artigos, videos, receitas, nutrição, saúde mental, etc, para sua vida ser mais saudável, simples e feliz.

Artigos Relacionados:

Receba grátis nossas novidades!

Compartilhe este artigo!

Deixe Seu Comentário

Digite o código acima*


HOME | QUEM SOMOS | CONTATO



parceiroIASDO Portal Natural é um ministério de apoio à Igreja Adventista do Sétimo Dia
Parceria:


Copyright © 2002-2015 PortalNatural. Todos os direitos reservados.

Importante: As informações contidas neste site são destinadas unicamente para fins de informações e conhecimento geral, não devendo, em hipótese alguma, ser utilizadas como diagnóstico médico ou adoção de medicamentos. Qualquer dúvida, sintoma ou preocupação quanto à sua saúde, procure orientação médica ou profissional em sua respectiva área. | Os comentários postados nos artigos não constituem necessariamente a opinião dos criadores deste site, mas sim da própria pessoa que o postou. Não são permitidos comentários com citações de nomes, telefones, emails, sites, ou qualquer outro conteúdo que venha a expor ou difamar a imagem ou o sigilo de uma outra pessoa.