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A Dor Não Termina Quando os Bombeiros Vão Embora

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Podemos sofrer traumas emocionais tão dolorosos para nós que, tempos depois, muito tempo mesmo, podemos ainda sentir certas reações que causam-nos pânico ou tristeza ou vergonha. Precisamos cuidar disso, de nós mesmos. Buscar a recuperação emocional. Isto significa aprender como fazer parar de doer.

É importante nesse processo de recuperação, pararmos de negar que há o problema. Há um problema que nos aflige e ele pode ter origem no passado ou no presente. Pode ter ligações com machucados afetivos ocorridos em nossa infância ou na vida adulta. Pode ter sido originado em abusos verbais, físicos, quando éramos crianças. Pode ser surgido num abandono de alguém que amávamos na vida adulta. Abandono no sentido da pessoa amada ter ido embora por causa de outra pessoa (ou não) ou ter permanecido, mas fria, indiferente, provocando o que chamamos de solidão à dois. Pode ter origem em traumas sociais, como tragédias, assalto, seqüestro, etc.

Quando paramos de negar o problema e começamos a encará-lo de frente, vamos nos fortalecendo, mesmo ocorrendo recaídas. Não importa. A mudança, a recuperação emocional, que é um processo, está em andamento. Vamos amar a nós mesmos pelo que já conseguimos.

Ninguém está pronto quanto à ser maduro. Crescimento emocional é um processo. Sempre haverá algo mais a ser melhorado.

Quando vivemos experiências dolorosas na infância ou na vida adulta, as dores emocionais não desaparecem necessariamente de modo fácil. Cicatrizes vivas podem permanecer na mente e emitir sintomas aqui e ali em nossas vidas, as quais podem ser tristeza, angústia, medo, vergonha, irritabilidade fácil, agressividade, sintomas no corpo, etc.

Os bombeiros podem ter ido embora (as causas reais provocadoras da dor emocional podem ter passado) mas ficam as conseqüências, fica uma espécie de incêndio na alma, na mente. Daí a necessidade de buscarmos uma recuperação. Apagar o fogo que causa a dor.

Recuperar é parar de negar. A dor existe. Temos que aceitá-la. Temos que não mais tapá-la com subterfúgios (trabalho em excesso, drogas, álcool, controle as pessoas, comer, jogar, comprar, praticar sexo compulsivamente, etc.). Precisaremos atravessar a dor. Passar pelo vale da sombra da morte. Isto é duro. É um renascimento. Agir diferente. Não reagir. Mas agir em prol de você, para cuidar de você. Sentir seu sentimento, expressá-lo adequadamente para as pessoas certas.

Há pessoas perto de você que não poderão compreender sua dor e seus passos para a recuperação. Não importa. Não volte atrás. Resista às possíveis críticas. Às vezes as pessoas mais difíceis para nos ajudar são nossos familiares. Às vezes.

Recaídas poderão ocorrer. Sensações de que você não irá conseguir, surgirão. Mas isto é normal na recuperação. Espere um pouco. Tenha paciência. Trabalhe mais leve nos dias mais difíceis. Descanse mais nestes dias. Busque mais Deus. Medite. Ore. Partilhe sua dor, seu medo com a pessoa idônea e empática. A dor vai passar. O medo também. Não tenha medo do medo.

Algumas marcas ou lembranças demoram a diminuir a intensidade e freqüência em nossa mente. O trauma não terminou, mesmo que os bombeiros já tenham ido embora.

O que fica é o fantasma, que parece real. Mas você é maior que os fantasmas emocionais. Eles não são você! E poderá superá-los se compartilhar os medos, angústias e dores com a pessoa certa e com o Deus certo. O que é bom passa, mas o que é ruim também passa. Isso também vai passar.

Dr. Cesar Vasconcellos de Souza

Autor: Dr. Cesar Vasconcellos de Souza

Dr. Cesar Vasconcellos de Souza, médico psiquiatra e psicoterapeuta, membro da Associação Brasileira de Psiquiatria, membro da American Psychosomatic Society, consultor psiquiatra da revista Vida & Saúde onde mantém coluna mensal, professor de Saúde Mental, visitante, do College of Health Evangelism e "Institute of Medical Ministry" do Wildwood Lifestyle Center and Hospital, Estados Unidos, Diretor Médico do Portal Natural, autor dos livros "Casamento: o que é isso?" e "Consultório Psicológico".

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3 Comentários. Participe você também!

  1. DEBORAH ELOI disse:

    Achei muito lindo quando você escreveu: “Tenha paciência. Tenha calma. Isso vai passar. Isso não é você!” São tão poucas as pessoas que tem essa sensibilidade. Eu leio mas fico repetindo essas palavras pra mim mesma como se você as tivesse dizendo olhando bem nos meus olhos. Eu tenho transtorno do pânico desde os 15 anos, hoje com 21, estou passando por uma recaída depois de 4 anos sem nenhuma crise. Tem sido muito difícil, mas me sinto em paz quando alguém me lembra de que isso vai passar.
    Que Deus te use sempre Dr.Cesar. Muitos, como eu, precisavam ler isso.

  2. Patricia Portal disse:

    Ola, boa noite!

    Quero dizer que amo seus ensinamentos! Esses dias estou passando por um problema sentimental, e estou buscando forças com Deus! É um dia, chegando em casa após o trabalho, tinha uma revista Vida e Saúde em minha cama. Resolvi dar uma olhada e eis que me deparei com textos referente ao que eu estava sentindo. Gostei! E, qd chegou a segunda, já fui procurando outros textos pra eu ler, pra ter forças e encontrei um seu, cujo o título é: Coragem para mudar.
    Amei suas palavras, parece que você estava falando comigo!
    Obrigada por nos ajudar, a gente quando está assim, precisa ouvir palavras de força, como se fosse conselhos..enfim. Gostaria que não parasse de divulgar seus textos, porque eu tenho certeza que você está ajudando alguem que precisa!
    Obrigada!

  3. Tessy disse:

    Olá querida,

    Eu gostaria de ser seu amigo, meu nome é Miss Tessy Annan vi seu perfil e tornou-se o interesse de ter uma conversa privada com você.Então vou gostar de você me escrever de volta através do meu e-mail…(tessyannan1989@hotmail.com) para que eu lhe dirá mais sobre mim e mais das minhas fotos para você saber quem eu sou. Não estou sempre on-line devido a algumas razões pessoais, tenho algo muito importante para discutir com você é muito importante, por favor contacte-me directamente para o meu endereço de e-mail.(tessyannan1989@hotmail.com) para mais detalhes sobre mim. Espero ver a sua resposta em breve,
    Atenciosamente.

    Seu novo amigo,

    Tessy.

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