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Intimidade Afetiva x Intimidade Sexual

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Dr. Dean Ornish, cardiologista e professor da Universidade da Califórnia em São Francisco, Estados Unidos, em um de seus livros, explica que uma pessoa isolada afetivamente de si mesma e dos outros adoece e pode agravar a doença cardíaca presente. Ele conta a história real vivida por um filósofo professor, Jacob Needleman, numa experiência muito interessante sobre o tema “solidão”. Needdleman comenta:

“Há vários anos, perguntei aos meus alunos: ‘O que vocês consideram os principais problemas de nossa sociedade?’. Obtive as respostas usuais: desintegração da família, guerra nuclear, ecologia. Então alguém disse ‘solidão’. Eu perguntei: ‘Quantas pessoas aqui se sentem basicamente sós?’. Todos levantaram as mãos. Fiquei estarrecido. Então perguntei a um outro grupo maior de pessoas, com um espectro mais amplo de tipos, e todas, exceto duas, levantaram as mãos. Assim fiquei interessado na solidão. Então um estudante de trinta e cinco anos de idade proveniente da Nigéria disse: ‘Você sabe, quando cheguei à Inglaterra proveniente da Nigéria, não entendia o que as pessoas queriam dizer quando falavam que estavam sós. Somente agora, depois de estar morando nos Estados Unidos por dois anos, é que sei o que significa estar só.” Na cultura dele, a solidão simplesmente não existia; eles tampouco tinham uma palavra para ela. Havia muito sofrimento, muita dor, muita tristeza, mas não solidão. O que é essa solidão que estamos experimentando? As pessoas ficam separadas não somente umas das outras, mas também de uma força harmonizadora em si mesmas. Não se trata somente de ‘Eu estou só’; trata-se do ‘Eu’ estar sozinho. Estamos desprovidos de um relacionamento harmonioso essencial com alguma força universal. Para mim, eis por que a solidão é um fenômeno importante que se deve entender.” (Dean Ornish, Salvando o Seu Coração, Editora Relume-Dumará, cap.4, 1995).

Há uma solidão básica, universal, nos seres humanos. Falta algo. A percepção dessa falta não é comum a todos. Não é fácil perceber isto. Pode assustar e doer. Quanto melhor se percebe tal solidão, e quanto mais ajuda se obtém para lidar com ela construtivamente, mais cedo pode-se administrá-la e, assim, evitar atitudes destrutivas para tentar encobri-la, como compulsões, por exemplo. A resolução dessa solidão envolve dois níveis de atuação e de convivência. Um vertical e outro horizontal. É como a cruz, com os dois paus, um apontando para o alto e o outro para os lados, direito e esquerdo. Isso significa que o ser humano precisa de relacionamentos “horizontais”, ou seja, com outros seres humanos, e “vertical” com um Poder Superior bom, que eu chamo Deus.

A necessidade desses dois níveis de relacionamento não é algo para a pessoa decidir se precisa ou não. Ela precisa. A diferença é que muitos não sentem, não crêem que necessitam. Não sentir e não crer não é a palavra final quanto à necessidade profunda do indivíduo. Melhorar a qualidade da vida afetiva é uma necessidade na relação horizontalizada. Por “vida afetiva” me refiro à compaixão pelas pessoas, empatia, sensibilidade, não-competitividade, compartilhar, expressar o afeto verbalizando-o, transmitindo-o em gestos também. Melhorar a intimidade afetiva é uma necessidade e isto não está relacionado com intimidade sexual obrigatoriamente. Muitos tem intimidade sexual mas não conseguem intimidade afetiva. Não conseguem amar. Só “transar”. “Transar” – ter relações sexuais – é o mais fácil num relacionamento. Agora, amar…

Talvez você viveu perdas afetivas significativas em sua vida na infância e adolescência, chegando à vida adulta com dores emocionais e medo de novos relacionamentos íntimos. A frustração do passado, quando você tentou se aproximar e ter intimidade com pessoas afetivamente importantes em sua vida, pode ter causado uma barreira dentro de si mesmo contra novas relações íntimas. Ficou o vazio “horizontal”, nas relações humanas. E é preciso vencer isto, arriscar se abrir, não ter medo do medo da frustração e avançar, com simplicidade e prudência. Vá com calma nos novos relacionamentos, mas vá. Evite colocar expectativas altas demais nas respostas afetivas das pessoas. Há pessoas confiáveis com quem você poderá se abrir. E as não confiáveis com quem você se relacionará com respeito, mas com alguma distância, dependendo da situação. É mais importante melhorar a qualidade da intimidade afetiva com poucos amigos, do que aumentar o número deles e permanecer superficial.

Dr. Cesar Vasconcellos de Souza

Autor: Dr. Cesar Vasconcellos de Souza

Dr. Cesar Vasconcellos de Souza, médico psiquiatra e psicoterapeuta, membro da Associação Brasileira de Psiquiatria, membro da American Psychosomatic Society, consultor psiquiatra da revista Vida & Saúde onde mantém coluna mensal, professor de Saúde Mental, visitante, do College of Health Evangelism e "Institute of Medical Ministry" do Wildwood Lifestyle Center and Hospital, Estados Unidos, Diretor Médico do Portal Natural, autor dos livros "Casamento: o que é isso?" e "Consultório Psicológico".

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4 Comentários. Participe você também!

  1. Sex Shop RJ disse:

    Excelente post.

    Gostaria de acrescentar que é necessário observar a sí mesmo, como pessoa, pois pode ser que seu comportamento esteja afastando as demais pessoas de você.

    Sempre existe alguém para conversar, desde que você seja sociável, tolerável.

    Talvez as experiências, que nos doem, vividas com outras pessoas sejam reflexos de coisas que fizemos. Comportamentos que tivemos, por vezes movidos por orgulho, arrogância e certa falta de senso.

    Transferir a culpa de tudo de ruím que nos acontece para os outros pode ser sinonimo de falta de maturidade.

    Pense sobre você, analise-se e talvez descubra que precisa ser uma pessoa melhor.

  2. Marcia H Fuhr disse:

    A solidão aterroriza, realmente a grande maioria das pessoas sentem-se sós.Mas vejo a importancia de se estar aberto aos relacionamentos, mesmo que, por muitas vezes não correspondam às nossas expectivas. Considero, que muitas pessoas se decepcionam nos relacionamentos por criarem falsas expectativas om relação ao outro.Enquanto nao aceitarmos as imperfeições da natureza humana, torna-se cada vez mais improvável que os relacionamentos possam vingar. Marcia H Fuhr

  3. katia rodrigues de lima disse:

    :D:D:Polha foi edificante este comentario,estou saindo de um processo longo de solidao,muitas vezes estamos num meio de uma multidao e nos sentimos sos,aceito o conselho de que devemos manter um vinculo afetivo com pessoas nao confiaveis com uma certa distancia

  4. siara disse:

    :sad:lhhgxdfh.legal;;;;;;;;;;

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