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Indivíduos da Classe Alta Apresentam Mais Frequentemente Comportamentos Menos Éticos?

individuosDaClasseAlta

Há algum estudo científico sobre o comportamento humano corrupto? Pessoas de classe social alta tendem a ser mais não éticas em seu comportamento comercial, empresarial, político do que as de classe social baixa?

Sim, há estudos sobre este tipo de comportamento social doente, maligno e injusto para com a comunidade. Uma equipe de cientistas do Departamento de Psicologia da University of California, Berkeley, nos Estados Unidos, junto com outros da Rotman School of Management da University of Toronto, Canadá, pesquisou este assunto e o resultado foi publicado recentemente na PNSA Early Edition, da Academia de Ciências dos Estados Unidos da América,  (March 13, 2012 vol. 109 no. 11 4086-4091). http://www.pnas.org/content/109/11/4086 . Vamos ver, resumidamente, o que estes cientistas encontraram neste estudo intitulado “Higher social class predicts increased unethical behavior.” (“Classe social alta prediz aumento de comportamento não-ético.”)

“Predizer” significa dizer antecipadamente o que vai acontecer, seja por meio de regras certas, por pretensa adivinhação, por conjetura; prognosticar; profetizar. Sinônimos podem ser: augurar, auspiciar, fadar, pressagiar, prognosticar.

“Classe social” refere-se à posição de uma pessoa, comparada com outras da sua comunidade, em termos de riqueza material, prestígio ocupacional e educação.

O estudo acima revelou que indivíduos de classe alta se comportam mais frequentemente sem ética, do que os de classe baixa. Por este estudo foi possível prever que pessoas de classe alta agiriam sem ética na comparação com as de classe baixa. Vamos ver o que ele revelou.

Meu pai (“seu Simões”, da ex-Papelaria Simões) dizia que as pessoas mais fiéis ao pagamento do crediário na sua loja, eram as de classe social baixa. Minha mãe (Helena), que foi uma “madre Tereza”, dizia que as pessoas da zona rural, analfabetas ou não, (ela tinha “trocentos afilhados” de famílias da “roça”) eram mais confiáveis. Claro que há exceções, para o bem e para o mal em qualquer grupo humano e este estudo não concluiu que todas as pessoas de classe alta são menos éticas.

Se considerarmos que as pessoas de classe baixa vivem em ambientes com poucos recursos, maior perigo e mais incerteza, seria aceitável a ideia de que elas seriam mais motivadas a comportar-se sem ética para aumentar seus recursos ou superar desvantagens.

Um outro raciocínio, entretanto, sugere uma predição contrária, ou seja, pessoas de classe social alta podem ser mais dispostas a serem não-éticas. Estudos mostram que maiores recursos, liberdade e independência, favorecem o surgimento de tendências sociais focadas no eu, as quais, por sua vez, facilitam comportamentos não-éticos.

Observações históricas e estudos sócio-econômicos honestos (sem conflitos de interesses), mostraram que a crise econômica recente em alguns países podem ser atribuídas, em parte, a ações não-éticas de pessoas muito ricas. (Galperin BL, Bennett RJ, Aquino K (2011) Status differentiation and the protean self: A social-cognitive modelo of unethical behavior in organizations. Journal of Business Ethics 98:407-424. Artigo de uma revista científica sobre ética nos negócios).

Não é por acaso que Jesus disse: “Em verdade vos digo que é difícil entrar um rico no reino dos céus. E, outra vez vos digo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus.” Mateus 19:23-24.


 

Esta é a parte 2 do artigo em que compartilho com você os achados sobre falta de ética na classe social alta, comprovada por trabalho científico publicado recentemente pela Academia de Ciências dos Estados Unidos da América, estudo feito por equipe de cientistas do Departamento de Psicologia da University of California, Berkeley, nos Estados Unidos, junto com outros da Rotman School of Management da University of Toronto, Canadá. (March 13, 2012 vol. 109 no. 11 4086-4091). http://www.pnas.org/content/109/11/4086

Muitos recursos e posição social elevada, permitem aos indivíduos da classe social alta aumentar a liberdade e independência, o que facilita comportamentos egocêntricos. Estudos tem revelado que pessoas de classe alta parecem ser menos próximos dos outros e piores na identificação de emoções que os outros sentem. Daí podem ser menos engajados nas interações sociais, como por exemplo, checando o celular toda hora, rabiscando num rascunho, diferente do comportamento de pessoas de classe baixa que interagem melhor com os outros.

O estudo também mostra que uma boa parte das pessoas da classe alta tende a ser menos generosa e menos altruística. Uma pesquisa nacional nos Estados Unidos mostrou que pessoas ricas doaram menos de seus salários do que as de classe pobre. Vários estudos neste contexto sugerem que pessoas de classe alta tendem mais a valorizar seu bem-estar sobre o bem-estar de outros e, assim, podem apresentar mais atitudes de cobiça ou ganância, do que os pobres.

“E, estando Jesus assentado defronte da arca do tesouro, observava a maneira como a multidão lançava o dinheiro na arca do tesouro; e muitos ricos davam muito. Vindo, porém, uma pobre viúva, doou duas pequenas moedas, que valiam meio centavo. E, chamando os seus discípulos, disse-lhes: Em verdade vos digo que esta pobre viúva doou mais do que todos os que colocaram na arca do tesouro; Porque todos ali doaram do que lhes sobrava, mas esta, da sua pobreza, doou tudo o que tinha, todo o seu sustento.” Marcos 12:41-44.

Por sua vez, segundo os cientistas deste estudo, a cobiça “é um robusto determinante de comportamento não-ético. Platão e Aristóteles estimavam que a cobiça está na raiz de imoralidade pessoal, argumentando que a cobiça conduz aos desejos por ganho material às custas de padrões éticos. Uma pesquisa mostrou que indivíduos motivados pela cobiça tendem a abandonar princípios morais em sua busca de interesse pessoal.” (Steinel W, De Dreu CKW (2004) Social motives and strategic misrepresentation in social decision making. Journal of Personality and Social Psychology 86:419-434.)

Neste artigo publicado pela Academia de Ciências dos Estados Unidos, as pesquisas feitas pelos cientistas da equipe mostraram que pessoas da classe alta tendem a transgredir mais vezes leis de trânsito, tomam decisões e apresentam comportamentos não-éticos bem mais do que as pessoas de classe baixa. Outro achado foi que indivíduos ricos são mais propensos a verem a cobiça sob uma luz mais positiva.

No estudo se procurou entender por que indivíduos de classe alta agem mais sem ética do que os de classe baixa. Daí pesquisaram para ver se encorajando pessoas da classe baixa a terem atitudes positivas quanto à cobiça se igualariam aos de classe alta nas atitudes não-éticas. Verificou-se que quando os benefícios da ganância ou cobiça foram enfatizados para estes mais pobres e com menos cultura, eles foram tão não-éticos quanto os da classe alta.  Verificou-se que os indivíduos de classe alta e os de classe baixa não necessariamente diferem em termos de suas capacidades para comportamentos sem ética, mas diferem em termos das tendências internas, pessoais, para com a falta de ética.


 

Esta é a parte 3 do artigo em que compartilho com você os achados sobre falta de ética na classe social alta, comprovada por trabalho científico publicado pela Academia de Ciências dos Estados Unidos da América, estudo feito por equipe de cientistas do Departamento de Psicologia da University of California, Berkeley, nos Estados Unidos, junto com outros da Rotman School of Management da University of Toronto, Canadá. (March 13, 2012 vol. 109 no. 11 4086-4091). http://www.pnas.org/content/109/11/4086

Os autores deste trabalho científico levantaram a pergunta, na conclusão do texto final: Por que são os indivíduos da classe alta mais propensos a comportamento não-ético, como violar leis de trânsito, pegar bens públicos ilegalmente, mentir, trapacear para obter benefícios pessoais egocêntricos? Eles sugeriram algumas respostas: (1)Indivíduos de classe alta, devido à sua relativa maior independência de outros, privacidade aumentada, profissão, podem ter menores restrições e diminuição da percepção do risco associado com a prática de atos sem ética. (2)A disponibilidade de recursos para lidar com os problemas de comportamento advindos de falta de ética, pode aumentar a probabilidade de tais atitudes entre a classe alta.

Certo dia eu estava numa lanchonete em minha cidade natal e o filho do prefeito em exercício parou seu carro em fila dupla. O dono da lanchonete o avisou que a polícia poderia multá-lo. E ele disse com jeito prepotente: “Não tem problema. Eles me multam, eu falo com meu pai, e ele manda tirar a multa no dia seguinte!”

Ricos são mais propensos a quebrar leis morais e éticas devido a: (3)Independência em interpretações pessoais (algo tipo, “eu acho que”, ao invés de checar a realidade pessoal e social) pode moldar sentimentos de ter direito sobre outros, além da falta de atenção para com as consequências sobre as pessoas dos atos sem ética.  (4)Reduzida preocupação pela avaliação das pessoas (“não me importo com o que dizem do que faço”) e (5)aumento do foco na meta que querem conseguir, custe o que custar, ferindo qualquer ética.

Este conjunto de fatores acaba provocando na sociedade uma cultura na classe social alta de transgressão e fraude, movidos pela cobiça e, muitas vezes, abuso de poder e influência.

Os autores da pesquisa terminaram o texto assim: “Ainda que a cobiça possa ser de fato uma motivação que todas as pessoas tem sentido em algum ponto de suas vidas, nós argumentamos que os motivos gananciosos não são igualmente prevalentes através de todas as classes sociais. Como nossos achados sugerem, a busca de auto-interesse é uma motivação mais fundamental da elite, e o aumento do desejo associado com maior riqueza e status pode promover a transgressão. Comportamento não-ético ao serviço de interesses pessoais que aumenta a riqueza e a posição social, pode ser uma dinâmica auto-perpetuadora que à frente exacerba disparidades econômicas na sociedade, um frutífero tópico para um futuro estudo de classes sociais.”

“E visitarei sobre o mundo a maldade, e sobre os ímpios a sua iniqüidade; e farei cessar a arrogância dos atrevidos, e abaterei a soberba dos tiranos.
Farei que o homem seja mais precioso do que o ouro puro, e mais raro do que o ouro fino de Ofir.” Isaías 13:11-12

“Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos.
Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos,
Sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te.” 2 Timóteo 3:1-5.

Dr. Cesar Vasconcellos de Souza

Autor: Dr. Cesar Vasconcellos de Souza

Dr. Cesar Vasconcellos de Souza, médico psiquiatra e psicoterapeuta, membro da Associação Brasileira de Psiquiatria, membro da American Psychosomatic Society, consultor psiquiatra da revista Vida & Saúde onde mantém coluna mensal, professor de Saúde Mental, visitante, do College of Health Evangelism e "Institute of Medical Ministry" do Wildwood Lifestyle Center and Hospital, Estados Unidos, Diretor Médico do Portal Natural, autor dos livros "Casamento: o que é isso?" e "Consultório Psicológico".

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