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Você tem “desconfiômetro”?

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Para ter relacionamento saudável com as pessoas é preciso discernimento. Discernimento no sentido de autopercepção. Isto é difícil para muitos porque a tendência é funcionarmos no automático. O que é funcionar no automático? É fazer as coisas no dia a dia sem muita percepção da própria conduta, do jeito de falar, dos motivos para agir. Parece que isto é o normal, não é?

Será que é mais fácil funcionar no automático? Será que exige menos esforço mental? O contrário de agir no automático significa ter consciência de si, pensar no que você está pensando, no que está dizendo para as pessoas, pensar no que está sentindo e o que este sentimento produz em seu comportamento no contato com os outros. Dá trabalho isto?

Há pessoas muito “espaçosas”, que consciente ou (na maioria das vezes) inconscientemente ocupam muito os outros para benefícios, segurança ou necessidades pessoais. Talvez sejam comunicativas, extrovertidas, mas falta nelas o “desconfiômetro”. Sempre envolvem pessoas em seus programas, planos, vontades, parecendo ter dificuldade de se virarem sozinhas, com menos ruído e agitação. Fazem muito alvoroço em torno de si e deixam as emoções tomarem muito conta da própria mente e isto tira o discernimento racional, a serenidade, prejudicando os relacionamentos porque tendem a usar muito as pessoas pela sua característica “espaçosa”, quase histérica.

Não é possível ter saúde mental sem discernimento ou percepção da própria conduta. Viver o tempo todo no automático é estar fechado para esta percepção. E também, claro, viver o tempo todo na autopercepção pode prejudicar a espontaneidade e a soltura nos relacionamentos.

A reflexão ajuda muito a entender quem somos e como funcionamos socialmente. Mas quem quer refletir sobre seu próprio comportamento numa sociedade carregada de relacionamentos descartáveis, inundada de impulsividade, cheia de modelos doentios na mídia, e reagindo agressivamente com facilidade?

A aceleração prejudica a concentração. Tentar absorver informação demais, deixa escapar a mais importante, talvez. O mundo está acelerado e cheio de precocidades. Outro dia chegou às minhas mãos uma propaganda impressa de uma empresa de jóias com uma menina toda maquiada e cheia de jóias. Uma imensa artificialidade, uma tristeza, um adulteração da beleza natural de uma criança!

Vivemos na era do sexo precoce, independência dos pais precoce, menstruação precoce, alcoolismo e outras dependências químicas precoce, namoro precoce. Ensinar ou permitir crianças dançarem com sensualidade, lambadas, e outras danças eróticas, é uma violência contra a infância. Os adolescentes estão anatomicamente aptos para terem sexo, mas estar prontos emocionalmente é algo totalmente diferente. A aceleração atinge muita coisa em nossa sociedade e tira a serenidade, a reflexão, o discernimento. Até o ritmo das fanfarras desfilando em 7 de Setembro acelerou nas últimas décadas! Reparou?

Para uma pessoa “espaçosa” melhorar, ela precisa parar e pensar. E procurar amadurecer para evitar ficar usando as pessoas. Usar é abusar. Pedir ajuda é diferente de usar uma pessoa. Deve procurar ajuda para resolver a tendência de chamar a atenção sobre si. Aprender a refletir e, sendo honesto(a) consigo mesmo(a), tentar discernir os motivos que levam a envolver as pessoas nos problemas ou desejos pessoais. É possível continuar a ser uma pessoa expansiva, comunicativa, sociável, sem histerismo, sem manipulação, sem querer ser o centro das atenções.

É preciso coragem para praticar estas coisas. Mas praticando, poderá se tornar uma pessoa mais confiável, mais serena, mais ponderada, menos “cheguei”, mais discreta, mais fácil de conviver, e não é bom isto?

A decisão para mudar o que se é, é pessoal. Ninguém muda ninguém. O médico, psicólogo, conselheiro, não muda o paciente. Não temos poder para isto. Na próxima vez que surgir na mente da pessoa “espaçosa” uma brecha no jeito de funcionar no automático, e ela conseguir refletir sobre como está funcionando com as pessoas, deverá aceitar a luz que virá dizendo o que precisa mudar. E mudar. Assim a saúde mental melhorará, independentemente se as pessoas ao redor fizerem isto também ou não.

Dr. Cesar Vasconcellos de Souza

Autor: Dr. Cesar Vasconcellos de Souza

Dr. Cesar Vasconcellos de Souza, médico psiquiatra e psicoterapeuta, membro da Associação Brasileira de Psiquiatria, membro da American Psychosomatic Society, consultor psiquiatra da revista Vida & Saúde onde mantém coluna mensal, professor de Saúde Mental, visitante, do College of Health Evangelism e "Institute of Medical Ministry" do Wildwood Lifestyle Center and Hospital, Estados Unidos, Diretor Médico do Portal Natural, autor dos livros "Casamento: o que é isso?" e "Consultório Psicológico".

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2 Comentários. Participe você também!

  1. SELÇO disse:

    gostei dessa página tomari que isso serve de exemplo pros outros amém e obrigado

  2. beatriz disse:

    Dr César ,o senhor pode me da umas orientações por favou!já faz 11 anos que faço uso do clonazepam de 2 MG e fluoxetina ,não consigo ficar ficar uma semana sem esse medicamento ?tive depressão na gravidez do meu filho de 11 anos .quero me liberta desses remédios dr estou voltando pra Deus após ficar 3 anos afastada da presença de Deus !quais consequência posso ter por muito anos de uso do clonazepam !obrigado dr

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