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"O que perdoa a transgressão busca a amizade; mas o que renova a questão, afastam amigos íntimos."
Provérbios 17:9
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Repetimos a história passada?

RepetimosAHistoriaDoPassadoSerá possível evitarmos repetir comportamentos ruins herdados e aprendidos de nosso passado infantil? Há jeito. Veja como.
 
Maria nasceu no interior, sendo a mais velha de cinco irmãos. Sua mãe cuidava da casa, seu pai era empregado numa fazenda e tinha problemas com a bebida. O alcoolismo atinge cerca de 10% à 12% da população mundial.

O pai de Maria piorou na bebida, agredindo filhos e esposa e um dia decidiu expulsar sua mulher de casa. Maria o odiava e referia-se a ele como “bêbado malvado”. Ela ía para um canto da casa, nos seus 8 anos de idade, tremendo de medo ao ver seu pai chutando os irmãos e gritando com a mãe dela. Ao ele berrar que a esposa sairia de casa, as crianças se agarraram na saia dela, suplicando para não ir. Ela saiu, ameaçada pela violência do marido.

Alguns irmãos foram morar com parentes e Maria ficou com o pai, crescendo cheia de amargura e ódio por ele pelo que ele havia feito com a família. Aos 20 anos de idade ela se casou e ficou anos sem notícias dele. Um dia ele apareceu procurando por ela. Ele estava mudado. Havia recebido ajuda emocional e espiritual e procurava cada filho para uma reconciliação. Maria havia jurado que não falaria com ele. Não usava mais a palavra “pai”, referindo-se a ele como “aquele cara”. Ela não queria reconciliação. Queria distância dele. Havia tomado a decisão de não ser igual a ele no lidar com os filhos. Ela tinha três filhos agora. E lidava com eles de maneira ditatorial, agredindo-os com palavras duras, tão dolorosas quanto às de seu pai no passado. Ela não percebia isto. Não queria perceber? Nunca perdoava, nunca pedia perdão. Implicava com Teresa, sua filha do meio, gerando nela revolta e rebeldia.

Na adolescência Teresa se envolveu com drogas e a mãe a expulsou de casa. Alguns filhos do meio têm problemas emocionais complicados porque em geral o mais velho recebe afeto especial por ser o primeiro, e o mais novo por ser o caçula. O do meio fica meio perdido. Após um casamento complicado com um dependente químico, Teresa teve José, que ao chegar na adolescência não aguentava mais as implicâncias da mãe porque ele usava cabelo comprido, óculos escuros o tempo todo e não comia carne. E ela que tinha sido hippie! Ela não controlava sua irritabilidade exagerada e sempre agredia verbalmente o jovem filho adolescente.

Aos 18 anos José se juntou com uma mulher mais velha que ele 10 anos. Está na moda isto? É sintoma de algo? Estão copiando alguma novela? Se separou dela oito meses depois, dizendo que ela implicava demais com ele. Igual à mãe dele? É possível casar com alguém bem diferente do pai ou mãe em termos de personalidade? No segundo relacionamento de José, sua mulher sofria porque, dizia ela, ele ficava facilmente irritado e a destratava com palavras duras, embora não a agredisse fisicamente como o avô fazia com os filhos e a esposa. A repetição do comportamento entre gerações nem sempre ocorre igualzinho.

O pai de Maria, Maria mesmo, sua filha Teresa, o filho José, cada geração repetindo o mesmo comportamento emocional, com diferenças, mas o mesmo problema central: amargura, rispidez, abuso verbal. Parece um defeito no DNA passado geneticamente. Mas felizmente a genética não explica tudo. Ela não determina inevitavelmente nosso comportamento. Existe o aprendizado, a escolha, a capacidade de raciocínio, o livre arbítrio e é isto o que pode levar à neutralizar as tendências hereditárias genéticas e aprendidas, para doenças do comportamento.

Temos que repetir a história do passado? Sim e não. Sim, pelo poder da influência hereditária e cópia do modelo observado durante a infância dos adultos com quem a criança viveu. Não, porque a genética não nos obriga a, inevitavelmente, repetir os mesmos comportamentos. Se assim fosse, por exemplo, todo filho de alcoólico teria que ser alcoólico. Apesar de que a ciência comprova que filhos de pais com alguma compulsão têm maiores chances de desenvolverem talvez a mesma compulsão comparados com filhos de pais sem compulsão por qualquer coisa.

Evitar repetir a história ruim do passado requer (1)lembrar dela ao invés de fugir da mesma como se nada de ruim tivesse ocorrido; (2)observar com sinceridade e honestidade o próprio comportamento para ver se e como ocorre a repetição de atitudes desagradáveis que você jurava que nunca iria ter com as pessoas; (3)ao perceber seu comportamento destrutivo herdado e cultivado, decidir lutar para mudá-lo por ver que ele está destruindo relacionamentos, e (4)agir, fazer, atuar, treinar conscientemente o novo comportamento saudável. Você muda quando você muda. As pessoas ao nosso redor (filhos, marido, esposa, esposo, etc.) não têm culpa dos problemas de nosso passado. Não temos o direito de estressar a vida delas por causa de nossos conflitos. É difícil mudar. Mas tem jeito. O pai de Maria conseguiu.

(Os nomes citados aqui são fictícios.)

Comentários 

 
0 # Adriana Aparecida da Silva Carneiro 24-05-2009 00:00
Com certeza é mais facil repetir,a mudança requer muito enpenho,e ajuda de Deus e das pessoas próximas.Fiquei muito feliz com esse artigo,poi vivi uma vida semelhante da narrada e por muitas vezes ouvi que tudo o que repetia "não passava de falta de vergonha",é bom esclarecer as pessoas que essa repição existe e traz sofrimento para quem a executa,e abrir uma pespectiva de que nem tudo está perdido.Que é possivel reaprender,que pela Graça de Jesus"pau que nasce torto,pode se desentortado"
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0 # Marcia Groberio 15-07-2009 11:39
Cresci num lar onde o abuso fisico e emocional era comum. Ouvia meu pai se referir a nós como inúteis, imprestáveis, dizer que não valíamos nada. Eu tinha muito medo dele, sabia que minha mãe sofria muito, como todos nós. Ela descontava toda a raiva na gente. Apanhávamos muito, de vara, chinelo, fio. Mas o pior não era a violência física, era a dor de não me sentir amada. Jurei a mim mesma que não queria aquela vida prá mim, que meu futuro seria diferente, que me casaria com alguém bem diferente de meu pai. Infelizmente, descobri que a história se repete, meu marido é tão abusivo quanto meu pai. Mas eu sou uma pessoa diferente de meus pais. Amo minhas filhas profundamente e jamais vou permitir que elas se sintam como eu me sentia. Digo a elas que elas são um presente de Deus prá mim. Que são muito amadas. Abraço , beijo, dou colo, dengo, atenção, conversamos muito, sobre tudo. Elas são as minhas companheiras. Pro bem delas sempre desculpo as atitudes de meu marido, dizendo que ele estava nervoso, que papai é muito bom, mas não está num dia bom. Sei que é importante prá uma criança uma boa imagem de seu pai. Tudo que sou hoje é resultado da graça e do amor de meu Paizinho lá do Céu. Ele fez de mim uma nova pessoa e me deu a chance de recomeçar e romper um ciclo de violência.
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0 # Valdira Rodrigues Alcantara Vitorino 25-07-2009 17:08
creci numa casa que so se ouvia critos raiva desamore alcolismo da minha mae, decidi ser diferente faser tudo ao comtrario com meus filhos tenho trez ja adultos nunca levantei as maos para eles dei amor carinho,e liberdade para suas escolhas hoje sao todos formados, e dois ja casados.me tratam com uma rainha.se nos pegarmos oa passadoe levar pela a vida a fora nossas maguas.os erros serao sempre repetidos de geraçao a geraçao, nao muda nunca.
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0 # P. Rangel 21-10-2009 07:26
A história de Maria foi a minha, infelizmente. E hoje graças ao Senhor meus pais são Cristãos. Mas eu corrego marcas da minha infância e luto com o Senhor Jesus(buscando ajuda dele)para que meu carater seja tranformado.É uma luta! Mas não desisto. Obrigada Dr. pelos concelhos e agora sei que estou no caminho certo.
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0 # Luciane 19-09-2011 07:45
Nas palavras dirigidas à mãe hebréia, Deus fala a todas as mães de todas as épocas. "De tudo quanto Eu disse à mulher se guardará ela." Juí. 13:13. A felicidade da criança será afetada pelos hábitos da mãe. Seus apetites e paixões devem ser regidos por princípios. Existem coisas que lhe convém evitar, coisas a combater, se quer cumprir o desígnio de Deus a seu respeito ao dar-lhe um filho. Se antes do nascimento de seu filho, ela é condescendente consigo mesma, egoísta, impaciente e exigente, esses traços se refletirão na disposição da criança. Assim muitas crianças têm recebido como herança quase invencíveis tendências para o mal. A Ciência do Bom Viver, Página 372
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