Relações Sociais: o papel da proximidade e do afastamento
Não é coisa fácil obter o equilíbrio entre ser próximo de alguém e afastar-se. A tendência é a pessoa estar numa extremidade ou em outra, ou seja, um grupo de pessoas sente grande necessidade de estar sempre junto de alguém, conversando, interagindo, enquanto que outro grupo sente necessidade de estar só, isolado. O que é o normal?
Primeiro é importante entendermos que somos pessoas com consciência. Consciência no sentido de perceber que somos uma pessoa, temos desejos, gostos, preferências, limites, necessidades. A noção de identidade surge na infância quando a criança se desvincula da mãe, percebe a presença do pai, e, assim, vê que ela é uma pessoa distinta. Um bebê ainda não sabe que ele é uma pessoa distinta. Só quando fica mais amadurecido, talvez após um ano de idade, é que inicia-se este processo social de identificação, ou seja, a percepção de que ele é um ser separado de outros.
Algumas pessoas crescem e de alguma maneira permanecem na simbiose emocional, num tipo de conexão ou ligação com figuras importantes de sua vida sem terem um bom rompimento psicológico e, assim, crescem com a forte necessidade de estar sempre em conexão com alguém. A necessidade desta ligação, para elas, é algo vital, de modo que quando alguém que faz parte desta conexão se afasta, pela morte, pela separação conjugal, pela mudança ambiental, etc., para elas é um desastre afetivo, e podem cair em depressão, explícita ou disfarçada através de “doenças” físicas, as quais chamamos de psicosomáticas.
Também, por outro lado, pessoas com a tendência de afastamento, sentem um certo (pequeno, médio ou grande) medo de proximidade porque temem ser “engolidos” pelos outros, e assim perder sua individualidade. Estas crêem que precisam estar mais isoladas para preservarem sua identidade, pois não aprenderam que podem ter proximidade e preservar sua pessoa, sua individualidade.
Na verdade, cada um de nós saiu da infância com a tendência para um lado ou para o outro, para se isolar das pessoas ou para a tendência de estar sempre perto de alguém. O saudável está no meio. As pessoas mais isoladas podem aprender a sentirem-se bem em meio aos outros, e as pessoas mais dependentes de relacionamentos podem aprender a coisa boa e relaxante que é estar sozinho em certos períodos do dia a dia da vida.
Mas há um desafio para cada uma delas de cada um destes dois grupos. E este desafio tem que ver com questões, para os dois grupos, como: Como posso aguentar a angústia de ficar só? Como posso aguentar o desconforto de estar com gente em volta de mim? Como posso interagir com as pessoas e saber colocar limites de maneira que posso me afastar a hora que quero? Como administrar esta forte necessidade de estar sempre acompanhado e aceitar que tem horas que não vou ter ninguém junto a mim?
A pessoa que tende a se isolar tem, no fundo, necessidade de contato com os outros. A pessoa que tende a sempre estar acompanhada tem, no fundo, necessidade de estar só. Mas isto pode ser inconsciente para ambas e elas podem negar ter tal necessidade.
Estar só ajuda a refletir sobre um monte de coisas da vida. Ajuda a organizar a vida, refletir sobre decisões a tomar, conhecer-se melhor, preparar-se para perdas, amadurecer, ouvir Deus, etc. Estar acompanhado ajuda a aprender com a outra pessoa, ajuda a compartilhar com alguém de “carne e osso” suas angústias e alegrias, obter alívio e ajuda, favorece a vitória sobre o egoísmo, e também auxilia na compreensão de si mesmo e no amadurecimento.
Se você tem tendência a se isolar, talvez chegou o momento de arriscar estar mais perto das pessoas acreditando que quando isto ficar muito desconfortável, você poderá colocar limites, poderá se afastar, poderá dizer que não quer falar sobre algum assunto, ou seja, você não é obrigado a ter que ter um contato social que seja ameaçador. Mas se permanecer isolado o tempo todo poderá adoecer e bloquear recursos de amadurecimento mental e utilidade na vida.
Se você tem a tendência de só se sentir bem ao ter pessoas perto, talvez chegou o momento de arriscar ficar algum tempo sozinho no dia a dia da sua vida, acreditando que isto não fará com que as pessoas o abandonarão, que sentirá uma angústia insuportável, e se sentir, é hora de refletir sobre o por que só pode estar sem ela estando com gente perto, pois isso não é normal, já que todos precisamos de momentos de estar só para crescer, refletir, ouvir Deus, e, assim, amadurecer.
“Há tempo de chorar e tempo de rir; ...tempo de abraçar e tempo de afastar-se de abraçar; tempo de buscar e tempo de perder; ...tempo de estar calado e tempo de falar...” Eclesiastes 3:5,6,7.











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