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"O que perdoa a transgressão busca a amizade; mas o que renova a questão, afastam amigos íntimos."
Provérbios 17:9
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O Resgate De Si Mesmo

Você consegue viver plenamente?

Para ser, temos que ter coragem. Quando funcionamos como pessoa emitimos opiniões, tomamos decisões, atuamos, e isto pode agradar ou desagradar pessoas. Ou aprendemos a ser e não ligar para pessoas que se melindram com o nosso jeito de ser, ou nos encolhemos na tentativa de agradar e perdemos o rumo da vida e do ser (existir).

É provável que não muitas pessoas consigam ser plenamente. É possível que uma grande parte delas, inconsciente ou conscientemente, acabem deixando algo de seu ser (pessoa) de lado por motivos diferentes. Os indivíduos mais agressivos na vida, reivindicam coisas e podem conseguir mais espaço, mais benefícios, mais crescimentos material, mas podem perder na qualidade da afetividade. Os menos agressivos não sabem se defender bem, perdem coisas materiais com mais facilidade até porque podem produzir menos ou não reputam bem o seu valor ou o valor de sua produção, mas podem ganhar quanto à sintonia para com o lado afetivo da vida. Mas isto é variável.

Aprendemos (ou não) a ser uma pessoa dentro da família onde crescemos. Algumas famílias favorecem o crescimento da criança, do ponto de vista do comportamento, enquanto que outras impedem isto pelas atitudes controladoras, ditatoriais, super-liberais, pelo abandono (físico e/ou emocional), etc.

Crianças sensíveis vivendo numa família disfuncional, aprendem que para obter afeto, aceitação, valorização de seus pais ou cuidadores ela precisa se tornar “alguém”diferente. Ao tentarem ser o que são se sentem ameaçadas de não ganhar nada e, assim, terem um sofrimento emocional imenso, variado na qualidade e quantidade (gravidade). Daí vão desistindo de ser o que seria o seu natural. Vão se adulterando. E, claro, isto é um processo muito sutil e inconsciente ao longo da infância.

Uma criança aprende a não ser, para poder ser alguém na existência. Explico, nas palavras de John Bradshaw (A Criação do Amor, p. 27e 28, Editora Rocco): “Uma criança cujos sentimentos, pensamentos e desejos estão sendo controlados e medidos aprende que só interessa ao pai [ou mãe] quando não é ela mesma. Isto acarreta confusão; neste estado de confusão, a criança inevitavelmente tem outro pensamento: só gostam de mim quando não sou eu mesmo. Este pensamento gera uma raiva autodefensiva. A raiva nos dá a energia e a força necessárias para nos protegermos. No entanto, sentir raiva de um dos pais é sempre ameaçador para uma criança. Assim, para dispersar essa ameaça, a maioria das crianças cria uma falsa identidade para agradar a seus pais. As crianças mais fortes, no entanto, rebelam-se e intensificam sua raiva....Uma vez que começamos a acreditar que somos esta falsa identidade, não sabemos que não sabemos quem somos.” (itálicos do autor)
Duas perguntas muito difíceis de serem respondidas por uma maioria das pessoas surgem dessa reflexão: “Quem sou eu?” , e “O que quero?” 

Talvez a solução para esta perda do eu, da identidade emocional, seja arriscar a ser aquilo que é a necessidade produtiva e abandonar a necessidade de afeto que pode ainda existir de uma maneira obsessiva, egoísta, aceitando que o afeto ideal não é possível ser obtido nesta existência e valorizando o que existe de amor na realidade.


Comentários 

 
0 # Anay 19-11-2008 00:00
Excelente assunto. Expõe exatamente à complexidade de conflitos que a maioria das pessoas enfrentam. Para concluir o assunto, gostaria de perguntar: O que existe de amor na realidade desta existência que podemos valorizar e que pode alcansar nossas necessidades afetivas?
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0 # angela hese 30-12-2008 00:00
achei muito interessante a matéria, tenho dificuldade em assumir o meu eu, ou identificá-lo. Gostaria de ler mais a respeito.
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0 # adriana 18-05-2009 00:00
Achei excelente o assunto, acredito que este seja o conflito de muitos nos dias atuais, resgatar o próprio eu, afinal estamos nos acostumando a utilizar mascaras.
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0 # anoninho m da cruz 27-04-2011 17:07
Gostaria de um aconselhamento: faz tempo que me separei depois de 28 anos de casado 3 filhos todos ja formados, agora conheci uma pessoa maravilhosa bem mais jovem que aprendi a amar como nunca amei ninguem, só que não consigo assumir totalmente o relacionamento porque não consigo me desligar totalmente do meu pasado (familia),o que devo fazer desististir deste amor ou largar tudo e procurar viver sem medo de ser feliz.
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0 # Silvana 07-02-2012 17:51
Acho que não entendi o mais importante. Como superar? Como obter a cura? Preciso disso desesperadament e!
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