Somos parciais, não somos deuses
A importância da equipe
Paulo, o apóstolo, na primeira carta aos Coríntios, na Bíblia, após descrever o que é o amor, ele diz que em parte conhecemos (13:12). Podemos inferir desta passagem que somos parciais no sentido de não poder tudo, não saber tudo, e, por isso, precisamos de ajuda, ou de uma equipe. Qual a importância de percebermos que somos parciais, não deuses? Podemos obter e oferecer ajuda valorizando os dons e talentos de cada um.
Na edição de 1 à 8 de Dezembro de 2008 da revista US NEWS a matéria de capa tem o título “America’s Best Leaders”, ou “Os Melhores Líderes da América”. Ali são citadas pessoas da área da saúde, soldados, educadores, economistas, executivos de empresas, pesquisadores, músicos, cineastas como Steven Spielberg, etc. Um dos citados na área médica é o Dr. Benjamin Carson, mais conhecido como Dr. Ben Carson, um neurocirurgião pediátrico do Johns Hopkins Hospital. Criado num subúrbio de Detroit em uma família pobre, famoso por realizar cirurgias complicadas como a de gêmeos siameses unidos pelo crânio, e cristão membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia.
Quando perguntado na revista citada acima sobre qual seria uma das coisas mais importantes para a liderança, ele respondeu: “Penso que é reconhecer que cada um tem dons e talentos. ... Vejamos a cirurgia dos siameses gêmeos – quando nós montamos a grande equipe, não é porque queríamos muitas pessoas. É porque esta pessoa é particularmente boa nisto e aquela pessoa é particularmente boa naquilo. Você poderia usar uma pessoa para fazer ambas coisas, mas por que fazer isto se alguém é muito melhor? Penso que a melhor metáfora está em Coríntios, onde Paulo fala sobre o corpo humano e diz, ‘O que ocorreria se tudo [no corpo] fosse um olho? O que ocorreria se tudo fosse um ouvido? Pode a mão dizer “Não preciso da perna?’ ”.
Equipe é importante para obter melhor resultado. Isto é verdade numa empresa, numa escola, numa igreja, numa família, num casamento.
Algumas pessoas têm a tendência de assumir tarefas de outra por não crer que ela será capaz de fazer do seu jeito. Provavelmente não fará mesmo. Mas tem que ser assim? Só pode ser daquele seu jeito? Do jeito dela a coisa não pode funcionar também? Ela não poderá ter outras idéias tão boas quanto ou melhor que as suas?
Em relacionamentos afetivos conjugais é típico um assumir a tarefa de ser o sentimento e o outro ser a razão. Um sente e o outro pensa. Um é só emoção e o outro é só razão. Um se preocupa com a decoração da casa e o outro com as contas das despesas da decoração. Um gasta e o outro poupa. Um explode e o outro amortece a explosão. Um é desajeitado e o outro é perfeccionista. Um quer fazer quase tudo junto e outro quer fazer quase tudo sozinho. Como combinar e funcionar como uma equipe produtiva em termos de afeto e razão?
O que você faz quando, na vida conjugal, vê que o outro não é tudo o que você esperava que fosse? Aceita as limitações e tenta aprender a lidar com o que falta, encorajando o outro a melhorar as deficiências e melhorando as suas deficiências também? Fica rabugento, se queixando o tempo todo, se isolando, ou agredindo verbalmente? Trai? Valoriza o que o outro tem de bom? Percebe que você também não é tudo para o outro? Ou nega isso, adotando uma posição emocionalmente prepotente?
Precisamos uns dos outros. Somos parciais. Não somos deuses. Temos muitas limitações em nossa personalidade. Mesmo naquilo em que achamos que somos fortes, podemos nos enganar.
O jornalista da US NEWS perguntou ao Dr.Carson o que ele acha que é o aspecto mais difícil na liderança numa equipe. E ele respondeu: “Admitir quando estou errado.” E diante da pergunta sobre o que ele faz nestas ocasiões, respondeu: “É sempre bom começar com você mesmo.”
Um dia vi num quadrinho de pensamentos, o pensamento do dia numa sala de reuniões de um grupo de ajuda mútua que dizia assim: “Primeiro de tudo, olhe a si mesmo. Depois ... olhe-se de novo.”











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