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Neurose: o exagero no comportamento

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O que é neurose? O que é ser uma pessoa neurótica? Qual a diferença entre uma pessoa normal, neurótica e uma psicótica?

Se adotarmos o conceito de doença mental e normalidade como uma questão de quantidade, podemos dizer que cada um de nós pode estar(ser) numa dimensão perto do normal, ou no campo da neurose, ou no da psicose. No meu entender, não houve, não há e não haverá nessa existência nenhum indivíduo cem por cento normal, a não ser Jesus Cristo, em Seu aspecto humano, quando da Sua vida na Terra. A normalidade é um alvo a ser alcançado por todos nós.

Muitas pessoas podem ser normais quanto à capacidade de trabalho, mas serem agitadas, hiperativas e detestar fins de semana e feriados porque neles ficam bem ansiosas. Por que algumas pessoas ficam inquietas quando interrompem o trabalho? Será que neste aspecto elas não são normais?

Outras podem ser normais quanto a saber controlar as emoções, não sendo, entretanto, capazes de se impor nas relações humanas, e, assim, se tornam vítimas de vários tipos de abusos ao longo da vida. Por que não conseguem colocar limites para se proteger? Será que neste aspecto elas não são normais?

Alguns indivíduos se acham normais por serem cheios de si, prepotentes, arrogantes, mas sem controle emocional. Quem não controla as emoções são fracos nisto, mesmo que sejam fortes socialmente devido às características de ser “poderoso” ou “poderosa”. Por que pessoas assim não são humildes? Será que neste aspecto de arrogância e prepotência elas não são normais?

Ainda outras pessoas podem ser normais quanto ao controle de suas emoções, mas bem destrambelhadas no sentido de não saberem administrar sua vida, sendo muito dependentes dos outros, carentes de atenção. Por que alguns indivíduos são tão carentes? Será que neste aspecto eles não são normais?

Neurose é quando parte de sua personalidade, do seu jeito de ser, está num tipo de defesa, de retraimento do “eu” (self) saudável ou mais genuíno. Este retraimento se manifesta por um comportamento mais introvertido e tímido, por atitudes agressivas, ou por funcionar como uma pessoa “espaçosa demais” que tende a usar as pessoas, etc.

Neurose é intermediária entre normalidade e loucura (psicose). Muitas pessoas bem sucedidas economicamente, famosas, podem ser bem neuróticas. O neurótico não apresenta alteração do pensamento racional, não fica desorientado no tempo e no espaço, não tem delírios, nem alucinações, coisas que ocorrem com o indivíduo psicótico. O indivíduo neurótico tem um exagero no seu comportamento, que é um “machucado” no psiquismo (mente) dele.

Uma mulher teve um pai muito autoritário. Até hoje em sua vida adulta ao ver um carro de polícia na rua, começa a suar nas mãos, sente um frio na barriga, o coração acelera e sente medo, como se tivesse feito algo errado. Isto é uma reação neurótica. Seu mundo emocional interpreta a figura da polícia, que é uma autoridade, como o pai agressivo. Ela ainda não resolveu esta questão consigo mesma, por isto tem estes sintomas.

Um homem teve um pai irresponsável financeiramente. Assumiu, emocionalmente, a obrigação de cuidar financeiramente da mãe e mesmo do pai que “não ganhava bem”. Sua mãe, dominadora, passava para ele (filho) um papel de vítima, gerando nele culpa (falsa) e sensação de ter obrigação de cuidar dela. Assim, neuroticamente, ele adotou em sua vida adulta uma postura obsessiva de ter que poupar, sempre castrando seus desejos, com argumento de que “não sei o que ocorrerá no futuro”. Ele ainda não resolveu esta culpa falsa.

Estas duas pessoas apresentam comportamento exagerado em algumas áreas, com sintomas variados, e postura na vida com mais infelicidade do que precisaria. Isto é neurose. Para vence-la o caminho passa por descobrir a verdade que explica o porque destes comportamentos exagerados que bloqueiam a existência de um eu mais saudável. E a verdade está na mente da própria pessoa, só que bem enterrada por baixo da consciência. Isto é a defesa. Defesa contra a percepção da verdade. Conhecer esta verdade pode doer. Mas pode libertar. Mas por que algumas pessoas ficam estagnadas na defesa e não caminham para a liberdade interior? Será um medo inconsciente de encarar a dor original que gerou o comportamento exagerado, que é a defesa neurótica?

Dr. Cesar Vasconcellos de Souza

Autor: Dr. Cesar Vasconcellos de Souza

Dr. Cesar Vasconcellos de Souza, médico psiquiatra e psicoterapeuta, membro da Associação Brasileira de Psiquiatria, membro da American Psychosomatic Society, consultor psiquiatra da revista Vida & Saúde onde mantém coluna mensal, professor de Saúde Mental, visitante, do College of Health Evangelism e "Institute of Medical Ministry" do Wildwood Lifestyle Center and Hospital, Estados Unidos, Diretor Médico do Portal Natural, autor dos livros "Casamento: o que é isso?" e "Consultório Psicológico".

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5 Comentários. Participe você também!

  1. Ivan disse:

    Excelente artigo que pode acordar pessoas que não sabem o porque de algum de seus comportamentos ou sentimentos

  2. Fabrício disse:

    Foi uma ótima aula, ler esse texto, muito bom. Parabéns doutor.

  3. mari disse:

    e só com terapia q isto se resolve??

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